“Quem tá seguro da sua narrativa não foge do debate”, afirma Osmar de Sá Ponte

Sociólogo e presidente do PSB de Fortaleza analisa as revelações envolvendo Flávio Bolsonaro, a disputa eleitoral no Ceará e os rumos da campanha presidencial durante entrevista ao Democracia no Ar

As recentes revelações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, a disputa eleitoral no Ceará e os movimentos da campanha presidencial foram tema do programa Democracia no Ar, da Rádio e TV Atitude Popular. A entrevista com Osmar de Sá Ponte, sociólogo, professor e presidente do PSB de Fortaleza, analisou o cenário nacional e os acontecimentos que movimentam a reta final das eleições de 2026. O programa está disponível no canal da Atitude Popular no YouTube.

Um dos assuntos discutidos foi o material atribuído a Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio e ex-amigo de Flávio Bolsonaro, divulgado pela PlatôBR. Reportagens publicadas sobre o caso relatam que Santini reuniu mensagens, fotografias e registros de encontros privados e apresentou parte desse material à esposa do senador. O conteúdo também inclui alegações relacionadas à atuação política de Flávio Bolsonaro e a contatos envolvendo processos em tramitação no Judiciário.

Durante o programa, Osmar de Sá Ponte procurou deslocar o foco das revelações sobre a vida pessoal do senador para as questões de natureza política. Para ele, o aspecto relevante está nas acusações relacionadas à atuação de Flávio Bolsonaro em torno de interesses e negócios que, segundo o entrevistado, merecem investigação e esclarecimento.

A entrevista também abordou a situação eleitoral no Ceará, marcada nos últimos dias por uma disputa judicial envolvendo a Federação União Progressista e a chapa encabeçada por Ciro Gomes. Em 28 de setembro, o ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, havia suspendido a participação da federação na coligação de Ciro e imposto restrições às candidaturas de Roberto Cláudio e Capitão Wagner. A decisão ocorreu em meio ao conflito entre as decisões das convenções estaduais do União Brasil e do Progressistas e a deliberação da federação.

O cenário sofreu nova alteração em 30 de setembro. O ministro André Mendonça suspendeu a liminar de Floriano de Azevedo Marques e restabeleceu a participação da União Progressista na coligação de Ciro Gomes, além de liberar novamente a propaganda eleitoral e o uso de recursos pelos candidatos atingidos pela decisão anterior.

Na avaliação apresentada por Osmar durante a entrevista, a disputa cearense precisa ser compreendida dentro de uma conjuntura mais ampla, na qual as eleições estaduais se relacionam com a disputa nacional. Ele destacou a importância das dinâmicas regionais e afirmou que o comportamento do eleitor não segue necessariamente uma transferência automática de votos entre diferentes cargos.

O professor também analisou a campanha presidencial e a decisão do Presidente Lula de não participar do debate da TV Globo, optando por uma entrevista coletiva em formato de podcast. Para Osmar, a decisão deveria ser examinada a partir da estratégia adotada pela campanha, mas ele defendeu pessoalmente a participação do Presidente Lula nos debates.

“Quem tá seguro da sua narrativa não foge do debate”, afirmou durante a entrevista. Na avaliação apresentada por Osmar, a presença em diferentes espaços de comunicação permitiria ao candidato apresentar diretamente suas posições e disputar a narrativa diante dos eleitores que ainda não definiram sua escolha.

O entrevistado também criticou o formato dos debates eleitorais atuais. Para ele, muitos encontros entre candidatos se transformaram em uma sucessão de acusações e respostas previamente preparadas, com pouco espaço para a discussão de questões novas. Nesse contexto, defendeu que os candidatos apresentem propostas capazes de dialogar com segmentos que, segundo sua análise, permanecem pouco contemplados pela comunicação eleitoral.

A juventude apareceu como um dos pontos destacados pelo professor. Osmar avaliou que a campanha precisa tratar de temas relacionados às expectativas dessa parcela do eleitorado e mencionou dados sobre ansiedade entre jovens como sinal de problemas sociais que deveriam ser incorporados ao debate político.

“Esse jovem, o mais espontâneo, o mais sincero das pessoas, aquele que quer ter esperança, ele precisa de esperança para viver”, afirmou.

Outro eixo da entrevista foi a posição do Brasil diante das disputas internacionais. Osmar argumentou que o país ocupa uma posição estratégica por sua dimensão econômica, energética, agrícola e mineral, além de sua capacidade de interlocução com diferentes blocos internacionais. Na análise apresentada, a política externa e a soberania nacional também devem ocupar espaço na disputa eleitoral.

O professor relacionou essa discussão ao papel do Presidente Lula no cenário internacional e mencionou a participação brasileira em fóruns multilaterais. Segundo ele, a capacidade de diálogo do Brasil com diferentes países amplia sua importância em um período marcado por tensões entre Estados Unidos, China, Rússia e Europa.

A entrevista também tratou da comunicação política do Presidente Lula. Osmar destacou a capacidade do presidente de utilizar elementos emocionais e experiências cotidianas para construir uma comunicação que, segundo sua avaliação, ultrapassa discursos estritamente técnicos.

Ao comentar uma passagem envolvendo uma atividade partidária em Porto Alegre, o professor utilizou o episódio para explicar o que considera uma característica importante da comunicação de Lula: a capacidade de perceber o ambiente político e responder ao sentimento presente entre os participantes.

Para Osmar, essa dimensão da comunicação política precisa ser considerada nas campanhas eleitorais, sobretudo quando se pretende alcançar pessoas que não acompanham diariamente o debate institucional.

No encerramento, o professor destacou a tolerância como um princípio indispensável para a democracia. A defesa da convivência entre diferentes posições políticas e religiosas apareceu como uma das principais mensagens finais da entrevista.

“A tolerância é um pressuposto fundamental da democracia”, afirmou Osmar de Sá Ponte.

O programa Democracia no Ar, apresentado por Sara Goes, é transmitido de segunda a sexta-feira, das 10h às 11h, pela Rádio e TV Atitude Popular. A entrevista completa está disponível no YouTube.

▶️ Assista à íntegra:

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Referências

As informações sobre a entrevista foram extraídas do programa Democracia no Ar, disponível no canal da TV Atitude Popular.

A reportagem sobre o material atribuído a Alexandre Ferreira Dias Santini foi publicada pela PlatôBR e repercutida por outros veículos de imprensa.

As informações sobre as decisões do Tribunal Superior Eleitoral envolvendo a chapa de Ciro Gomes foram atualizadas com base em reportagens publicadas em 28, 29 e 30 de setembro de 2026.

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