Queda de R$ 220 bilhões e perda de craques: a crise que assola a Nike

Fachada de loja da Nike. Foto: reprodução

A Nike perdeu o atacante francês Kylian Mbappé para a suíça On após quase duas décadas de parceria e enfrenta uma queda que tirou mais de US$ 220 bilhões de seu valor de mercado em cinco anos. O jogador do Real Madrid assinou contrato de dez anos com a concorrente, embora a marca estadunidense tenha oferecido cerca de 20 milhões de euros por temporada para mantê-lo.

“Estou numa fase da minha vida em que preciso experimentar novas sensações, me desafiar”, disse Mbappé ao jornal L’Équipe ao justificar a mudança. A saída ocorreu enquanto a Nike tenta recuperar espaço diante de rivais que avançaram em segmentos como corrida e calçados de alta performance.

De acordo com informações do Uol, a receita anual da empresa caiu de US$ 51,4 bilhões no ano fiscal de 2024 para US$ 46,3 bilhões no exercício seguinte, uma baixa de 10%. O lucro recuou 44%, para US$ 3,2 bilhões, e o resultado do último trimestre daquele ano fiscal despencou 86%, para US$ 211 milhões.

Com valor de mercado inferior a US$ 60 bilhões, a companhia deixou o S&P 100 em 21 de setembro, após quase 18 anos no índice das cem empresas americanas mais líquidas e valiosas. A exclusão também pressiona os papéis, porque fundos que seguem o indicador precisam vender as ações da empresa.

Mbappé na fábrica da On. Foto: reprodução

Estratégia digital afastou a Nike do varejo físico

John Donahoe, que assumiu a presidência executiva em janeiro de 2020, concentrou a estratégia em vendas diretas pelo site e pelas lojas da própria companhia. A aposta funcionou durante a pandemia, mas reduziu a presença da Nike em redes tradicionais como Macy’s e Foot Locker quando o varejo presencial voltou a crescer.

O espaço aberto nas prateleiras ajudou marcas como On e Hoka. A participação global da Nike no mercado de calçados esportivos caiu de 29,2% em 2022 para 22,9% em 2025; na China, a Anta assumiu a liderança do setor, com 23%, ante 20,7% da americana.

A marca também perdeu preferência entre adolescentes nos Estados Unidos. Pesquisa semestral do banco Piper Sandler apontou que a fatia de jovens que indicavam a Nike como favorita em tênis caiu da média de 60% em 2022 e 2023 para 46% no fim de 2025. Na corrida, Brooks e Hoka passaram a liderar, com cerca de 23% das vendas cada uma.

Enquanto priorizou modelos retrô, como Jordan 1, Dunk e Air Force 1, a Nike desacelerou investimentos em inovação. A receita do comércio eletrônico dessas franquias caiu quase 50% em um ano, e a empresa passou a depender mais de promoções: em 2024, apenas metade das vendas em seus canais próprios saiu a preço cheio.

Elliott Hill, executivo com 32 anos de Nike que voltou da aposentadoria para comandar a empresa no fim de 2024, reconheceu ao Financial Times que a crise era maior do que previa. A receita do último trimestre ainda caiu 3%, a companhia realizou mais de 2 mil demissões neste ano e promete apresentar seus próximos passos a investidores em novembro, em Beaverton, sede do grupo.

Artigo Anterior

O ovo da serpente: a incubação da era digital, por Lucio Massafferri Salles

Próximo Artigo

“Quem tá seguro da sua narrativa não foge do debate”, afirma Osmar de Sá Ponte

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!