Quebra de sigilo do Master expõe Flávio Bolsonaro investigado e acirra crise no STF

Flávio Bolsonaro com camiseta amarela durante ato de campanha
Flávio Bolsonaro usa camiseta amarela e se apoia em uma grade metálica durante ato de campanha em Copacabana, no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução

A retirada parcial do sigilo das investigações sobre o Banco Master confirmou que a Polícia Federal investiga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do partido à Presidência, por negociações de recursos para o filme “Dark Horse”, sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A divulgação dos documentos também abriu uma nova disputa entre ministros do Supremo Tribunal Federal. Com informações de Folha de S.Paulo.

O ministro André Mendonça liberou inicialmente 15 inquéritos na noite de quinta-feira (10), após determinação do presidente do STF, Edson Fachin. Nesta sexta-feira (11), pressionado pela Procuradoria-Geral da República e por colegas da Corte, Fachin deu 24 horas para que Mendonça divulgasse todo o material; mais tarde, o relator tornou públicos 38 procedimentos.

A PF apura a “possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos”. Investigadores descrevem Flávio como “interlocutor direto” do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e apontam que ele fez “reiteradas cobranças” para que Vorcaro investisse na produção.

Flávio defendeu a abertura integral dos documentos e negou irregularidades. “Para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total sobre esse assunto. Porque vão só confirmar o que eu sempre falei, que não tem nada de errado em relação ao filme”, disse o senador depois da liberação dos autos.

Alexandre de Moraes e André Mendonça, ministros do STF
Alexandre de Moraes e André Mendonça, ministros do Supremo Tribunal Federal. Foto: Reprodução

Ministros questionam divulgação parcial de documentos

Alexandre de Moraes criticou Mendonça por liberar apenas parte dos materiais. Para Moraes, o colega, “diretamente interessado no julgamento”, escolheu “subjetivamente o levantamento do sigilo, tornando público somente o que entendeu conveniente”, enquanto ao menos 180 documentos continuariam confidenciais. Entre os itens liberados está o contrato entre Vorcaro e Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

A PGR também pediu a ampliação da quebra de sigilo. Cristiano Zanin solicitou acesso ao conteúdo bruto do celular de Vorcaro, teve o pedido rebatido por Mendonça e voltou a requerer os dados. Gilmar Mendes pediu que Fachin assuma a investigação contra Mendonça e sugeriu o adiamento da sessão marcada para terça-feira (15), destinada a examinar as conversas entre Moraes e Vorcaro.

A crise no Supremo ganhou força após mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicarem contatos com Moraes até o dia da prisão do ex-banqueiro. Segundo o relatório produzido pela PF a pedido de Mendonça, Vorcaro perguntou ao ministro sobre a investigação contra o Master e se deveria deixar o país; Moraes reagiu e pediu apuração contra Mendonça.

Os documentos também indicam que Flávio negociou ao menos US$ 24 milhões para “Dark Horse” e que pelo menos US$ 12,3 milhões foram efetivamente pagos. A PF afirma que Eduardo Bolsonaro dava orientações sobre a administração dos recursos nos Estados Unidos, por meio do fundo Havengate, ligado ao advogado Paulo Calixto, e apura a origem, o percurso e os beneficiários finais dos valores.

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