Presidente de Israel perdoa soldado que matou palestino caído no chão após ser baleado

Presidente de Israel, Isaac Herzog
Isaac Herzog, presidente de Israel. Foto: Reprodução

O presidente de Israel, Isaac Herzog, eliminou no sábado (19) os antecedentes criminais do ex-soldado Elor Azaria, condenado por homicídio culposo após matar o palestino Abdel Fattah al-Sharif, que estava incapacitado em Hebron, na Cisjordânia ocupada, em 2016. A medida contrariou a recomendação do comando das Forças Armadas israelenses. Com informações de O Globo.

Herzog encurtou o prazo restante para que a ficha de Azaria expirasse e, assim, retirou definitivamente o registro criminal. A decisão ocorreu após um pedido feito em julho pelo ministro da Defesa, Israel Katz.

O chefe do Exército de Israel, tenente-general Eyal Zamir, e outros oficiais de alta patente se posicionaram contra a medida em carta enviada a Katz. Eles afirmaram que Azaria “não expressou remorso ou aceitou responsabilidade por suas ações, mesmo uma década depois de sua condenação”.

A Presidência israelense alegou que levou em conta a posição dos militares, mas considerou a passagem do tempo, o cumprimento da pena e o remorso atribuído ao ex-soldado. O gabinete de Herzog disse que a decisão permitiria a Azaria “abrisse um novo capítulo de sua vida”, no espírito do Yom Kippur, celebrado pelos judeus no domingo (20).

Ex-soldado matou palestino após ele ser baleado

Azaria trabalhava como paramédico do Exército israelense quando atirou na cabeça de al-Sharif, em março de 2016. O palestino havia esfaqueado um soldado israelense, mas tropas já o tinham baleado e ele permanecia caído no chão havia cerca de 11 minutos quando o ex-militar disparou.

Um vídeo da morte circulou amplamente e levou o caso a um tribunal militar. Em 2017, a Justiça condenou Azaria a 18 meses de prisão por homicídio culposo, pena que depois caiu para 14 meses.

O ex-soldado deixou a prisão em maio de 2018, depois de cumprir nove meses da pena. A morte provocou forte debate em Israel e críticas de entidades internacionais de direitos humanos.

O Ministério das Relações Exteriores palestino classificou a morte de al-Sharif como “crime de guerra”, enquanto o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos considerou a pena original “excessivamente leniente”. Em 2024, o então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, proibiu Azaria e seus familiares de entrar no país por “morte extrajudicial”.

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