
O ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani afirmou que se sente “ofendido” com a presença do atual prefeito Zohran Mamdani na cerimônia em memória das vítimas dos ataques de 11 de Setembro, marcada para sexta-feira (11), no Marco Zero. Mamdani, primeiro prefeito muçulmano da cidade, confirmou que participará do ato pelos 25 anos da tragédia.
Giuliani comandava Nova York quando os ataques ocorreram, em 2001. O ex-governador George Pataki, que chefiava o estado naquele período, também disse que Mamdani deveria manter distância da cerimônia. Bruce Blakeman, candidato republicano ao governo estadual, declarou que virará as costas para o prefeito caso ele compareça.
A pressão ganhou força com uma petição entregue à Prefeitura por familiares de vítimas e dois integrantes da Câmara Municipal. O documento, assinado por mais de 100 mil pessoas, pede que Mamdani não participe do evento para que a data fique “centrada na memória, na unidade e na rejeição inequívoca à violência e ao extremismo que marcaram aquele dia”.
Entre as signatárias está Cheri Sparacio, viúva de Tom Sparacio, operador de câmbio que morreu na Torre Sul. Ela afirmou que a contestação não se relaciona à religião ou à origem do prefeito, mas às suas posições políticas e à associação com o streamer e ativista de esquerda Hasan Piker.

Mamdani rejeita ataques e destaca homenagem às famílias
Mamdani classificou como “inaceitáveis e condenáveis” os comentários de Piker de que os Estados Unidos “mereceram o 11 de Setembro”. O streamer depois chamou sua própria frase de “inapropriada” e disse que buscava fazer uma crítica mais ampla à política externa americana.
Na segunda-feira (7), o prefeito declarou que quer concentrar a semana nas famílias das vítimas. “Tenho orgulho de ser o prefeito desta cidade; amo esta cidade, amo este país. E quero que, nesta semana, o foco esteja nas famílias cujos entes queridos lhes foram tirados há 25 anos, no terrível ato de terror de 11 de setembro”, disse a jornalistas.
Nos dias anteriores à cerimônia, Mamdani visitou quartéis de bombeiros que perderam integrantes nos ataques, inaugurou homenagens às cerca de 3 mil pessoas mortas e às vítimas de doenças ligadas à queda das torres. Ele também instituiu 11 de setembro como o Dia de Memória e Serviço da cidade.
A administração municipal divulgou na terça-feira (8) mais de 170 mil documentos sobre a qualidade do ar após o desabamento do World Trade Center. Mamdani disse que “as pessoas adoeceram porque os líderes em quem confiavam mentiram e disseram que era seguro respirar aquele ar tóxico”, sem citar nominalmente antigos gestores.
A vereadora Shahana Hanif, primeira mulher muçulmana eleita para a Câmara Municipal de Nova York, afirmou à CNN que o tratamento dado ao prefeito é preocupante. “É preocupante para mim que o prefeito esteja sendo tratado de forma diferente simplesmente por ser muçulmano”, declarou.
O vice-presidente JD Vance confirmou presença na cerimônia e acusou Mamdani de não demonstrar “nenhuma gratidão” aos Estados Unidos. Donald Trump não deve ir a Nova York. Autoridades acompanharão a leitura dos nomes das vítimas e os minutos de silêncio sob uma tenda em Lower Manhattan.