Produtora de “Dark Horse” alega ameaças e nega ter o que delatar

Karina Gama, produtora de "Dark Horse"
Karina Gama, dona da produtora Go Up. Foto: Reprodução

Karina Gama, dona da produtora Go Up e produtora de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL), afirmou que se sentiu ameaçada e chantageada antes de se tornar alvo de busca e apreensão da Polícia Federal nesta quinta-feira (10). O deputado federal Mário Frias (PL-SP) também foi alvo de busca e apreensão. À Folha, ela disse que, se for presa, não tem informações para oferecer em uma delação premiada.

Em telefonema um dia antes da operação, Karina relatou que pessoas que se apresentaram como oficiais de Justiça tocaram a campainha de sua casa às 21h e fizeram perguntas sem mostrar documentos. Fornecedores de empresas dela e familiares também teriam recebido abordagens.

“Estou apavorada”, disse a produtora. Ela afirmou que a PF pediu documentos e que ela os entregou imediatamente, além de declarar que não entende o motivo de sofrer pressão.

Karina também disse que um pastor evangélico de Brasília, que ela associa à esquerda, ofereceu ajuda e sugeriu um acordo de delação para evitar punições mais duras. A produtora não informou a identidade do religioso nem apresentou detalhes sobre a conversa.

Karina Gama e Mário Frias. Foto: reprodução

Recursos para o filme e emenda de Mario Frias entram na investigação

A Polícia Federal investiga suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares destinados a “Dark Horse”. A operação também alcançou o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que destinou R$ 1 milhão a um projeto do Instituto Conhecer Brasil.

Karina afirmou que os valores ainda não utilizados no projeto permanecem “em caixa”. A iniciativa prevê letramento financeiro para jovens empreendedores e recebeu os recursos no fim de 2025; segundo ela, o calendário escolar impediu o avanço das atividades naquele período.

Em outra frente, a PF apura o financiamento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção sobre Bolsonaro. Karina disse que recebeu dinheiro do fundo Havengate, administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, mas afirmou não saber quem financiava o fundo.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, pediu recursos a Vorcaro para “Dark Horse” em novembro do ano passado. Em mensagem enviada ao então dono do Banco Master às vésperas da prisão dele, o senador escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

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