Dino proíbe Mario Frias de deixar o país e contatar investigados no caso “Dark Horse”

Mário Frias no set de “Dark Horse” ao lado de Jim Caviezel. Foto: Divulgação

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o deputado federal Mario Frias (PL-SP) de deixar o país e de manter contato com outros investigados no inquérito que apura recursos destinados ao filme “Dark Horse”, cinebiografia ainda não lançada de Jair Bolsonaro. A Polícia Federal incluiu o parlamentar entre os alvos de uma operação deflagrada na quinta (10).

A decisão autorizou 49 mandados de busca e apreensão em produtoras e endereços relacionados à obra. Os agentes atuaram no Distrito Federal, Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro e recolheram documentos e aparelhos eletrônicos para análise.

Dino apontou indícios de que Mario Frias integraria uma organização criminosa. “Já por ocasião da instauração, foram encontrados indicativos da prática de crimes de peculato, fraude em licitação ou contrato, contratação direta ilegal, falsificação de documento particular e falsidade ideológica e uso de documento falso”, escreveu o ministro.

As restrições de contato e de saída do Brasil alcançam os 29 alvos da operação. A investigação também apura suspeitas de emprego irregular de verbas públicas, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro, crimes licitatórios e participação em organização criminosa. Em endereços ligados aos investigados, a PF encontrou armas e veículos de luxo.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. Foto: Reprodução

Inquérito apura uso de emendas no filme “Dark Horse”

A apuração sob relatoria de Dino examina supostos desvios de emendas parlamentares para financiar a produção. O longa aborda a trajetória de Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018, mas ainda não chegou ao circuito de exibição.

A empresária Karina da Gama, sócia da Go Up Entertainment, também se tornou alvo das buscas. Os investigadores cumpriram medidas contra duas entidades de propriedade dela: o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura.

O STF mantém uma segunda investigação sobre a obra, sob relatoria do ministro André Mendonça. Esse procedimento analisa repasses de R$ 61 milhões feitos por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a pedido de Flávio Bolsonaro (PL), e o destino dos recursos.

Nesta semana, o gabinete de Mendonça homologou a delação premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e dono da Entre Investimentos e Participações. A investigação suspeita que a empresa recebeu valores de Vorcaro destinados à produção da cinebiografia.

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