A Polícia Federal identificou repasses financeiros ordenados pela lobista Roberta Luchsinger a dois integrantes do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). As movimentações, que somam R$ 60 mil e foram encontradas em mensagens de celular interceptadas pela investigação, tiveram como destino as contas de Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do MDS, e de José Martinho Ferreira de Araújo, chefe do cerimonial, primo de terceiro grau e assessor de confiança do ministro Wellington Dias desde o Senado, além de uma conta vinculada à uma familiar do funcionário.
As informações foram divulgadas primeiro pelo Estadão nesta quarta (23), que afirma que a PF teve acesso não somente às conversas com ordem de pagamento, mas aos comprovantes bancários. A reportagem cita reiteradamente Roberta como “amiga de Lulinha”. A defesa de Fábio Luís, filho do presidente Lula, ressaltou que ele nada tem a ver com os pagamentos.
A PF conseguiu relacionar os pagamentos a um contrato de R$ 31,2 milhões com empresa de tecnologia representada por Roberta junto ao MDS. A investigação aponta que os depósitos para as 3 contas foram feitos seis meses antes da celebração de contratos entre o MDS e a empresa de tecnologia 3Structure. Registros do MDS indicam que Roberta Luchsinger realizou ao menos 17 visitas à sede da pasta entre janeiro de 2023 e maio de 2024, figurando o próprio secretário Ranniêr Ciríaco como o responsável oficial por recebê-la em diversas ocasiões.
Cerca de seis meses após a realização das transferências bancárias suspeitas, o MDS firmou acordos milionários com a empresa de tecnologia, somando dezenas de milhões de reais em serviços prestados. A PF apura a hipótese de que os pagamentos efetuados pela lobista serviram como contrapartida ou facilitação para viabilizar a entrada e a consolidação da empresa dentro da pasta gerida pelo governo federal.
Em resposta aos achados, a defesa dos investigados e os representantes das empresas negaram qualquer ilegalidade, sustentando que os contratos públicos seguiram os trâmites e auditorias de praxe.
No somatório geral de contratos e aditivos da 3Structure com órgãos do Governo Federal (incluindo o MDS e outras pastas), o volume global chega a cerca de R$ 81 milhões.
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