
A Polícia Federal afirma que uma suposta articulação envolvendo o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP), sua mulher, Valéria Linhares, e Mariângela Fialek, a Tuca, ex-assessora de Arthur Lira (PP-AL), incluía a preparação de memoriais destinados a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Os investigadores apuram se o grupo buscava exercer influência para obter decisões favoráveis em processos judiciais. Com informações do Estadão.
Segundo a PF, em 18 de junho de 2025 Tuca encaminhou a Cezinha três memoriais nominalmente destinados a Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Gilmar Mendes. Os documentos eram assinados pelo escritório Fialek Advocacia e tratavam da Reclamação 79.545, processo no qual a advogada havia recebido substabelecimento com reservas seis dias antes.
A corporação ressalta expressamente que os ministros não são investigados. Na representação, a PF afirma que eles aparecem apenas como possíveis destinatários da influência que os investigados alegavam possuir. Os agentes também registraram que receber parlamentares em despachos, conceder audiências a advogados e analisar memoriais são atividades lícitas e próprias da função judicial.

Os investigadores destacaram conversas sobre a tramitação dos processos. Em uma troca de mensagens, Tuca perguntou a Cezinha se ele havia feito um despacho relacionado à Reclamação 79.545, e o deputado respondeu que sim, no dia anterior. Dias depois, Valéria afirmou que o assunto já havia sido tratado e posteriormente reforçado.
Outra mensagem de Valéria dizia que alguém havia “ligado e falado direto”, sem que o trecho reproduzido identifique de forma inequívoca todos os envolvidos nessa ligação. A PF também encontrou conversas nas quais Tuca demonstrava preocupação com o andamento de outra reclamação e mencionava pessoas próximas a integrantes do Supremo.
Para os investigadores, o conjunto dos diálogos indica que Tuca e Valéria teriam estabelecido uma parceria com o objetivo de obter decisões favoráveis em processos no STF, contando com o auxílio de Cezinha. A conclusão ainda integra uma investigação em andamento e não equivale a uma condenação.
Cezinha já aparece em outra frente de apuração por sua interlocução com integrantes do Supremo: mensagens do celular de Daniel Vorcaro mostram que o parlamentar articulou um encontro entre o banqueiro e André Mendonça em março de 2025. No caso dos memoriais, a defesa de Cezinha e Valéria afirma que ambos prestarão os esclarecimentos necessários e sustenta que nenhuma irregularidade foi cometida.