Petróleo tem alta de 3% após bravatas de Trump e resposta do Irã na ONU

Donald Trump em discurso na ONU. Foto: reprodução

O petróleo Brent superou US$ 106 por barril nesta quinta-feira (24), após ameaças trocadas por Estados Unidos e Irã na Assembleia Geral da ONU ampliarem a percepção de que um acordo para encerrar a guerra está distante. A cotação chegou a US$ 106,39 por volta das 5h15, em alta de 3,21%.

Mais tarde, por volta das 7h20, o Brent recuava parte do avanço, mas ainda era negociado a US$ 105,43, valorização de 2,28% ante o fechamento anterior. O WTI, referência nos Estados Unidos, subia 1,79%, para US$ 93,81.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou aniquilar o Irã em discurso na segunda-feira (22). Na terça-feira (23), o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, respondeu que Teerã não abrirá mão de seu programa nuclear e acusou Estados Unidos e Israel de terrorismo.

Pezeshkian levou fotografias de crianças iranianas mortas na guerra à plenária da ONU. A delegação dos Estados Unidos deixou o local durante o pronunciamento do presidente iraniano.

Presidente iraniano Masoud Pezeshkian discursa na Assembleia Geral da ONU
O presidente iraniano Masoud Pezeshkia na Assembleia da ONU com fotos de crianças iranianas assassinadas pelos EUA. Foto: Reprodução

Ameaça iraniana alcança o Oceano Índico

Para Henry Allen, estrategista macroeconômico do Deutsche Bank, os discursos indicaram que os dois países continuam distantes de uma solução. “Ficou claro que os investidores ainda esperavam um período prolongado de preços mais altos do petróleo”, afirmou.

Também nesta quinta-feira (24), Yahya Rahim Safavi, conselheiro próximo ao líder supremo Mojtaba Khamenei, disse que o Irã poderá estender o conflito até o Oceano Índico se os Estados Unidos voltarem a atacar o país. “É possível que, em resposta a uma eventual guerra, esta frente se estenda ainda mais, até o Oceano Índico, ou além”, declarou em vídeo divulgado pela agência Fars.

A possibilidade de novas ações militares mantém a atenção do mercado sobre o estreito de Hormuz, rota por onde passava cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra. O bloqueio da passagem é um dos principais riscos para a oferta global de energia.

A guerra também alcançou o Mar Vermelho com a entrada dos houthis, grupo do Iêmen apoiado militarmente pelo Irã. O grupo controla a costa iemenita próxima ao estreito de Bab el-Mandeb, passagem que conecta a Ásia e a Europa pelo Canal de Suez, enquanto Teerã exige a suspensão das sanções econômicas e a liberação de ativos congelados como condições para um acordo de paz.

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