
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) procurou nesta semana os presidentes do PP, Ciro Nogueira (PP-PI), e do União Brasil, Antônio Rueda, para buscar o apoio da federação em um eventual segundo turno das eleições de 2026. Em troca, os dois partidos querem discutir participação em um possível governo bolsonarista e a manutenção de Davi Alcolumbre (União-AP) na presidência do Senado.
PP e União Brasil atuam conjuntamente por integrarem a federação União Progressista, exigindo uma decisão comum sobre um apoio formal na disputa presidencial. Flávio havia tentado construir uma aliança já no primeiro turno, mas as tratativas não avançaram.
Ciro Nogueira passou a demonstrar maior disposição para apoiar o senador fluminense após se irritar com Lula (PT). Durante visita ao Piauí, o presidente chamou indiretamente o dirigente do PP de “vira-lata” e apoiou adversários do senador na eleição estadual.
O presidente do PP precisava preservar um pacto de não agressão com Lula para fortalecer sua campanha à reeleição no Piauí, estado em que o petista recebeu 74,25% dos votos válidos no primeiro turno da eleição presidencial anterior. O entendimento previa neutralidade do PP na disputa pelo Planalto, enquanto Lula concentraria seu apoio a Marcelo Castro (MDB) na corrida pelo Senado.

Presidência do Senado entra na negociação com a federação
O apoio de Lula a Júlio César (PSD) para o Senado e os ataques a Ciro alteraram esse cálculo político. Aliados do presidente do PP avaliam que a legenda não tem mais compromisso com a neutralidade, enquanto Flávio teria prometido não ir ao Piauí antes do primeiro turno para evitar exposição do vínculo entre os dois diante do eleitorado majoritariamente lulista.
A federação, porém, quer aguardar o resultado do primeiro turno e a dimensão de sua bancada no Congresso antes de formalizar uma posição. Dirigentes também observam a disputa pela presidência do Senado, marcada para fevereiro de 2027, como ponto decisivo para as conversas.
O União Brasil defende a permanência de Alcolumbre no comando da Casa. O PL trabalha para eleger uma maioria alinhada à pauta de impeachment de ministros do STF, enquanto Alcolumbre resiste a dar andamento a pedidos de afastamento de magistrados e deve buscar apoio do governo Lula e de partidos do centrão.
Os presidentes da federação União-PP marcaram para 6 de outubro, em Brasília, uma reunião com a bancada eleita para discutir o posicionamento nacional. Republicanos e PSD ainda mantêm distância de uma definição: o partido de Ronaldo Caiado tende a se aproximar de Flávio no segundo turno, mas Gilberto Kassab defende neutralidade e enfrenta pressão de lideranças nordestinas favoráveis a Lula.