Uma petição publicada na plataforma Avaaz cobra da imprensa brasileira tratamento considerado mais equilibrado na cobertura envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Flávio Bolsonaro, senador e candidato à Presidência da República.
Intitulada “Carta aberta à imprensa brasileira”, a iniciativa foi criada por Helena A. e direcionada a cidadãos brasileiros. Até a publicação do conteúdo, a página registrava mais de 13 mil assinaturas e estabelecia a meta de chegar a 20 mil.
O documento afirma que existe uma diferença entre a atenção dedicada pela imprensa às suspeitas envolvendo Fábio Luís e a cobertura de acusações e episódios relacionados a Flávio Bolsonaro. Os autores questionam o que classificam como falta de isonomia e pedem que os veículos de comunicação adotem o mesmo rigor investigativo nos dois casos.
Questionamentos sobre Fábio Luís
A carta afirma que Fábio Luís, conhecido como Lulinha, embora não seja candidato nem ocupe cargo público, teve sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados durante investigações. Segundo o texto, contratos e movimentações financeiras foram analisados, mas não houve condenação.
Os autores criticam a continuidade da exposição jornalística do filho do presidente e sustentam que ele seria tratado pela imprensa como responsável por crimes que, segundo a própria carta, não foram comprovados judicialmente.
Críticas a Flávio Bolsonaro
Em relação a Flávio Bolsonaro, a petição reúne uma série de episódios e acusações já divulgados publicamente e questiona, principalmente, a intensidade da cobertura jornalística sobre esses assuntos.
Entre os pontos citados está a contratação, para o gabinete de Flávio quando ele era deputado estadual, de familiares de Adriano da Nóbrega, ex-policial militar apontado como integrante de milícia no Rio de Janeiro e posteriormente homenageado pelo então deputado.
O documento também menciona as investigações sobre o esquema conhecido como “rachadinha” no gabinete de Flávio e as movimentações financeiras atribuídas ao ex-assessor Fabrício Queiroz. A carta reconhece que a denúncia relacionada ao caso foi anulada, mas questiona a ausência, segundo os signatários, de uma investigação jornalística mais aprofundada sobre o episódio.
Outro ponto citado são imóveis adquiridos por Flávio Bolsonaro com pagamentos em dinheiro vivo. A petição classifica essas operações como indícios de lavagem de dinheiro e cobra maior atenção da imprensa sobre a origem dos recursos.
Financiamento de filme e relação com Daniel Vorcaro
A carta também questiona a relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, banqueiro e controlador do Banco Master.
Segundo o documento, Flávio teria solicitado R$ 61 milhões a Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. A petição afirma que mensagens e áudios registrariam contatos entre os dois e cobra explicações sobre a operação.
Os autores ainda relacionam o episódio às investigações envolvendo o Banco Master e prejuízos atribuídos à instituição, afirmando que recursos utilizados no financiamento do projeto teriam origem, em última instância, em valores de aposentados e poupadores prejudicados.
Mansão também é citada
Outro questionamento apresentado na carta envolve um imóvel atribuído a Flávio Bolsonaro. O documento afirma que o senador vive em uma residência avaliada em aproximadamente R$ 15 milhões, mas que teria sido declarada por R$ 6 milhões.
Os signatários cobram uma investigação jornalística sobre a aquisição, incluindo a identificação do vendedor, a forma de pagamento e a origem dos recursos utilizados na compra.
Áudio de Jair Bolsonaro
A petição também destaca uma gravação atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro na qual ele teria discutido medidas para impedir investigações envolvendo o filho Flávio.
Para os autores, o episódio deveria receber maior atenção da imprensa por envolver uma possível tentativa de interferência em investigações. A carta contrapõe a postura de Jair Bolsonaro à de Lula e afirma que o atual presidente teria defendido publicamente a realização de investigações, inclusive envolvendo o próprio filho.
Cobrança por cobertura jornalística
Ao final, a iniciativa apresenta uma série de perguntas dirigidas aos veículos de comunicação. Entre elas estão questionamentos sobre a cobertura do suposto pedido de R$ 61 milhões a Daniel Vorcaro, a gravação envolvendo Jair Bolsonaro, a aquisição da mansão atribuída a Flávio e a quebra de sigilos de Fábio Luís.
A carta também questiona por que, na avaliação dos signatários, suspeitas envolvendo o filho de Lula recebem mais atenção do que acusações e episódios relacionados ao filho de Jair Bolsonaro.
Os autores defendem que a imprensa deve adotar critérios semelhantes para investigar agentes públicos e pessoas relacionadas a eles, independentemente de vínculos políticos ou familiares.
A petição termina afirmando que os jornalistas e veículos de comunicação têm o dever de informar com o mesmo rigor sobre diferentes casos e pede que eventuais crimes sejam investigados com base em provas e dentro dos procedimentos legais.
A iniciativa, entretanto, é uma manifestação de seus autores e signatários. As afirmações e acusações apresentadas no documento não constituem, por si só, comprovação judicial dos fatos mencionados.
Confira a carta na íntegra:
CARTA ABERTA À IMPRENSA BRASILEIRA
Nós, cidadãos brasileiros que ainda acreditam na função social do jornalismo, vimos a público manifestar nossa indignação diante do abismo entre o tratamento dado pela grande imprensa a um candidato à Presidência da República e a um cidadão comum, que não ocupa cargo público, não é candidato a nada e não pede voto.
A pergunta é uma só: por que um é caçado sem provas, enquanto o outro é blindado com provas?
O CASO DE FÁBIO LUÍS LULA DA SILVA
Filho do atual presidente, Fábio Luís não é candidato a nada, não ocupa cargo público, não pede voto. Ainda assim, sua vida foi devassada. Sigilos bancário, fiscal e telemático foram quebrados. Cada contrato, cada movimento, cada centavo foi vasculhado.
O resultado? Nenhuma condenação.
Mesmo assim, segue sendo manchete atrás de manchete, tratado como se fosse o chefe de uma organização criminosa. A fúria investigativa da imprensa contra ele é implacável, mesmo quando a realidade não a acompanha.
O CASO DE FLÁVIO BOLSONARO
Flávio Bolsonaro é senador da República e candidato à Presidência. Ocupa uma das cadeiras mais importantes do país. Pede votos e influencia leis. E qual é o seu currículo público?
Empregou em seu gabinete a mãe e a esposa de Adriano da Nóbrega, ex-PM apontado como chefe de milícia no Rio de Janeiro. O próprio Flávio o condecorou.
Seu gabinete foi o epicentro do esquema da “Rachadinha”, com Fabrício Queiroz operando milhões em movimentações atípicas. Sabemos que a denúncia foi anulada por uma decisão técnica. Mas e o mérito? Cadê a investigação jornalística independente?
Acumulou imóveis comprados com dinheiro vivo, indício clássico de lavagem de dinheiro. Tudo documentado.
Pediu pessoalmente sessenta e um milhões de reais a Daniel Vorcaro, banqueiro preso por um rombo bilionário que lesou aposentados, para financiar um filme sobre seu pai. As mensagens e áudios mostram o senador cobrando, agradecendo e chamando o banqueiro de “irmão”.
Mora em uma mansão avaliada em quinze milhões de reais, mas declarada por seis milhões de reais. Como? Quem vendeu? Como foi pago? Onde está o restante do valor? Essa é uma pergunta que qualquer jornalista sério deveria estar fazendo em manchete. Mas o silêncio é ensurdecedor.
E qual é o tratamento que a imprensa dá a este senador, candidato à Presidência?Tratamento de vítima. De “perseguido político”. De “moderado”.
Enquanto isso, a prova mais grave de todas é solenemente ignorada ou tratada como ruído de bastidor:
Jair Bolsonaro, então presidente, gravou uma reunião pedindo intervenção na Receita Federal para parar as investigações contra seu filho Flávio.
Isso não é suspeita. É um áudio. Um documento. Uma confissão de obstrução da Justiça.
Se eu não devo, eu não temo?
O presidente Lula foi claro e público: “Pode investigar.” Seu filho foi investigado. E devassado. E exposto. Sem condenação.
Bolsonaro foi claro e público: “Não vou permitir que meus filhos sejam investigados.” E a imprensa, em grande parte, tratou essa postura como normal.
Que show da Xuxa é esse?
O vice de Flávio foi relator na CPI do INSS. A sócia de Flávio é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, apontado pela Polícia Federal como sócio e operador do “Careca” do INSS. O dinheiro do Vorcaro, que financiou o filme, vem, em última instância, dos aposentados e poupadores lesados pelo Banco Master.
A ficha corrida de Flávio Bolsonaro é pública. Está nos autos, nos áudios, nos registros de imóveis, nas mensagens de celular, nas declarações de bens. E a imprensa, em sua maioria, finge que não vê.
EXIGIMOS RESPOSTAS:
Cadê a isonomia? Se o sigilo de Fábio Luís pode ser quebrado sem provas, por que a imprensa não exige o mesmo para os sigilos telefônicos, fiscais e bancários de Flávio Bolsonaro?
Cadê a cobertura aprofundada sobre os sessenta e um milhões de reais de Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”?Quantos minutos de televisão e quantas páginas de jornal foram dedicados a esse escândalo em comparação com as suspeitas jamais comprovadas contra Fábio Luís?
Cadê a indignação com o áudio?Por que a admissão gravada de um presidente tentando obstruir a Justiça para proteger o filho não é a manchete principal de todos os noticiários, todos os dias?
Como a mansão de quinze milhões de reais foi comprada por seis milhões de reais?Cadê a matéria investigativa sobre a origem dos recursos e a identidade do vendedor?
E o que mais está escondido?O que mais foi varrido para debaixo do tapete enquanto a atenção se voltava para um alvo conveniente?
CONCLUSÃO
O povo não é bobo, mas parte da imprensa parece apostar que sim.
Um cidadão sem cargo público é caçado por suspeitas que se arrastam sem conclusão.
Um senador e candidato à Presidência, com um histórico documentado de relações com milicianos, dinheiro vivo, pedidos a um banqueiro preso, uma mansão inexplicável e um pai que tentou obstruir a Justiça por ele, é blindado e retratado como vítima.
A diferença não está na lei. Está no sobrenome e na orientação editorial.
Não aceitamos essa farsa. E cobramos de vocês, que detêm o dever de informar, a mesma energia, o mesmo rigor e a mesma coragem para investigar os dois lados.
Se há crimes, que se mostrem as provas e as algemas. Para todos.
A história cobrará de vocês. Nós já estamos cobrando hoje.
Atenciosamente,
Cidadãos brasileiros atentos e indignados.
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