
O Pentágono abriu o processo de demissão de dois dos principais dirigentes do Stars and Stripes e de uma repórter que cobre o Oriente Médio. O jornal é voltado às Forças Armadas estadunidenses e possui uma tradição de independência editorial apesar de seu vínculo financeiro com o governo.
Segundo reportagem do próprio Stars and Stripes, os avisos atingiram o editor-chefe Erik Slavin, o publisher Max D. Lederer Jr. e a correspondente Lara Korte.
A CBS News informou que Slavin e Lederer receberam cinco dias para recorrer. A justificativa mencionada para os desligamentos foi insubordinação. O Departamento de Defesa não apresentou publicamente uma explicação detalhada.
Slavin afirmou que o aviso citou uma entrevista concedida à CBS na qual ele disse que a censura de notícias destinadas aos militares seria uma “linha vermelha”. Na mesma reportagem, Korte declarou que trabalhava para o Stars and Stripes, e não para o Pentágono, uma administração ou um formulador de políticas.

Lederer havia anunciado que deixaria o cargo em 30 de setembro, depois de mais de três décadas no jornal. Ele afirmou que sua compreensão sobre a missão do veículo diferia de maneira fundamental da direção pretendida pela liderança do Departamento de Defesa.
A crise se aprofundou ao longo de 2026. Um plano divulgado em março ampliou a supervisão do Pentágono, restringiu o uso de agências de notícias, proibiu quadrinhos e determinou que o conteúdo fosse compatível com a “boa ordem e disciplina” militar.
Em abril, o Pentágono também afastou Jacqueline Smith, ombudsman encarregada de fiscalizar a independência editorial do jornal. Smith havia criticado as novas restrições e posteriormente acionou o governo na Justiça, alegando violação da Primeira Emenda.
O capitão da Marinha William Urban, instalado recentemente como representante militar junto ao publisher, publicou uma carta em que prometeu preservar o jornalismo independente e ampliar a presença digital do veículo. O texto, porém, não respondeu diretamente às demissões.