Pastor bolsonarista ataca Nossa Senhora Aparecida: “O Brasil não pertence a essa senhora”

Flávio Bolsonaro e o pastor Lucinho

O pastor bolsonarista Lucinho Barreto atacou Nossa Senhora Aparecida num culto e colocou em dúvida a própria história da imagem encontrada por pescadores no rio Paraíba do Sul.

“Aí, há 250 anos atrás (sic), uns pescadores lá em São Paulo acharam uma imagem dentro do rio. A imagem estava cheia de lodo. Pegaram essa imagem e fizeram dela a padroeira do Brasil. Depois eles foram descobrir que a imagem estava era suja. Ela não era preta, ela era branca”, afirmou Lucinho.

O pastor ainda rejeitou o próprio significado religioso atribuído à santa no catolicismo brasileiro e declarou: “O Brasil não pertence a essa senhora, o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo.” É a mesma declaração de Flávio Bolsonaro que viralizou.

O encontro da imagem ocorreu em 1717, há 309 anos. Os pescadores eram Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso, que estavam no rio Paraíba do Sul, na região de Guaratinguetá, para pescar peixes destinados à alimentação da comitiva do governador da capitania, o conde de Assumar.

Segundo o relato histórico, João Alves retirou primeiro das águas o corpo de uma pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição, sem a cabeça. Em seguida, os pescadores encontraram a cabeça da mesma imagem. Depois disso, a pesca teria sido abundante.

Também é incorreto dizer que a imagem foi encontrada simplesmente “cheia de lodo” e que só posteriormente se descobriu que ela era branca. A imagem original era uma pequena escultura de terracota, com cerca de 39 centímetros, que estava enegrecida pelo lodo e pelas condições em que permaneceu nas águas do rio.

A transformação da imagem em Padroeira do Brasil também não ocorreu imediatamente depois do encontro. A devoção se desenvolveu ao longo dos séculos. Em 1929, o papa Pio XI declarou Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil. A consagração solene ocorreu em 31 de maio de 1931, durante uma grande cerimônia no Rio de Janeiro, com a presença do chefe de governo Getúlio Vargas e de autoridades religiosas.

Lucinho atua como copastor da Lagoinha Alphaville, em São Paulo. O pastor declarou publicamente apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e é íntimo da família.

Lucinho Barreto já disse que gostava de “cheirar” a Bíblia e foi alvo de uma ação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que pediu sua condenação por incitação à violência de gênero. Durante um culto voltado para homens, ele contou que havia beijado a filha na boca e afirmou que diria ao namorado dela: “Você é o segundo, eu já beijei”.

O MPMG pediu R$ 300 mil por danos morais coletivos e uma retratação pública. Para o promotor de Justiça Ângelo Alexandre Marzano, a declaração era um “odioso exemplo para pais e educadores” e apresentava um discurso que, segundo a ação, apelava inclusive à violência sexual e violava valores éticos e sociais das mulheres e das famílias.

 

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