
O pai da criança de nove anos que apareceu com uma suposta arma em uma comemoração bolsonarista em Parnamirim, na Grande Natal, acumulou 231 pontos por multas de trânsito entre 2015 e 2026. O levantamento também identificou uma ordem judicial de busca e apreensão contra um carro ligado ao empresário. Com informações de Paulo Motoryn no Substack Noites Húngaras.
O menino estava com o pai no domingo (4), quando apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) se reuniram após o resultado do primeiro turno. As imagens gravadas na Avenida Castor Vieira Régis, no bairro Cohabinal, mostram a criança segurando um objeto que aparenta ser uma arma.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias do episódio e ainda não confirmou a natureza do objeto. Os investigadores apuram se o item era uma arma de fogo ou um equipamento de airsoft, além de buscar esclarecer quem o levou ao local e como a criança teve acesso a ele.
A mãe do menino foi chamada pelo Conselho Tutelar na segunda-feira (6) e também prestou depoimento à Polícia Civil. Ela disse que está separada do pai da criança há pelo menos oito anos e que o filho passou o fim de semana sob os cuidados dele; familiares relataram que o menino faltou à escola e ficou abalado após a repercussão.
🔫 💥 Menor comemora o resultado de Flávio Bolsonaro no 1° turno das eleições, apontando uma arma para o alto em Parnamirim (RN). https://t.co/8tJOa3wmOp
— République (@republiqueBRA) October 5, 2026
Histórico de multas e processo sobre veículo
O pai mantém um comércio na Ceasa de Natal e publica conteúdos bolsonaristas nas redes sociais. As 231 pontuações em multas integram seu histórico no Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Norte, mas não estabelecem relação com a investigação sobre o objeto exibido pela criança.
Em janeiro de 2024, a Justiça autorizou a busca e apreensão de um Jetta após o banco Aymoré/Santander apontar inadimplência em um financiamento. A dívida indicada no processo era de R$ 13.248,77, e o veículo servia como garantia do contrato.
O carro não chegou a ser apreendido. O banco desistiu da ação em maio de 2024 e pediu o desbloqueio do automóvel; a Justiça aceitou o pedido em julho e encerrou o processo.
A avó paterna, identificada como proprietária do veículo em que a criança estava, também publica conteúdos bolsonaristas e já participou de mobilizações políticas no Rio Grande do Norte. Se a Polícia Civil confirmar que o objeto era uma arma de fogo e que um adulto permitiu o acesso da criança, o caso pode envolver o artigo 242 do Estatuto da Criança e do Adolescente; se era airsoft, a apuração considera que a prática é permitida a partir dos 14 anos, enquanto o menino tem nove.