
O empresário Pablo Marçal é alvo de uma ação civil pública que pede indenização de R$ 10 milhões por declarações consideradas racismo religioso contra praticantes de religiões de matriz africana. A Educafro também solicita a retirada do conteúdo, uma retratação pública e a divulgação de um contradiscurso sobre a história e a dignidade dessas religiões. Com informações da coluna Lauro Jardim do Globo.
O processo trata de falas de Marçal em agosto, durante entrevista ao programa “Show do Bacci”. Na ocasião, ele disse que “todo macumbeiro é um derrotado na vida” e que “se macumba funcionasse, Bahia era Dubai”.
Marçal também afirmou na entrevista que a umbanda teria sido criada por “branco, rico e político”. As declarações motivaram a ação movida pela Educafro, entidade voltada à defesa de direitos da população negra.
A organização sustenta que as falas ultrapassam a intolerância religiosa e configuram racismo religioso. O conceito tem reconhecimento do Conselho Nacional de Justiça, conforme o argumento apresentado pela entidade no processo.
Em entrevista em São Paulo, Marçal diz que “todo macumbeiro é um derrotado na vida” https://t.co/smT7LkYsHb
— Jornal da Cidade Online (@JornalDaCidadeO) September 11, 2026
Além da indenização, a Educafro quer que a Justiça obrigue Marçal a publicar uma retratação pública. A ação também pede a veiculação de um contradiscurso sobre as religiões de matriz africana.
Se houver condenação, o valor da indenização deve seguir para um fundo público. A recomendação é aplicar os recursos em projetos de combate ao racismo religioso e de proteção aos terreiros.
A Educafro argumenta que as declarações atingiram coletivamente seguidores de religiões de matriz africana. A ação busca responsabilização civil pelas falas divulgadas na entrevista.
O episódio já gerou representações ao Ministério Público Eleitoral, ao Ministério Público e à polícia. O Ministério Público da Bahia abriu um procedimento para apurar o caso, segundo a entidade.