
Apenas quatro dos 2.048 locais de votação da cidade de São Paulo deram mais de 50% dos votos nominais a candidatas a deputada federal no primeiro turno das eleições de 2022. Nos demais endereços, os homens receberam a maioria dos votos destinados nominalmente a candidaturas.
O Colégio Vera Cruz, na Vila Ida, liderou o ranking: mulheres receberam 54,03% dos votos nominais para a Câmara no local. A capital reúne 9.135.407 pessoas aptas a votar em 2026, o equivalente a 26,7% do eleitorado paulista, distribuídas em 26.686 seções eleitorais.
O levantamento usa dados do Tribunal Superior Eleitoral e da plataforma “Marias do Bairro”, da Girl Up Brasil. A conta exclui votos brancos, nulos e de legenda e compara, em cada local, a proporção de votos destinados a candidatas e candidatos.
O ranking considera percentuais, e não o total absoluto de votos. Em 2022, São Paulo teve 1.458 candidaturas a deputado federal, das quais 450 eram de mulheres.
Diferenças entre regiões da capital
Os locais com maior proporção de votos em mulheres se concentram principalmente em Pinheiros e Alto de Pinheiros, na Zona Oeste. Depois do Vera Cruz, o Colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros, registrou 49,19%, e o Colégio Horizontes, na Vila Madalena, alcançou 49,14%.
Na outra ponta, os menores percentuais aparecem sobretudo em Parelheiros e Grajaú, no extremo Sul. O Centro de Detenção Provisória de Pinheiros III, na Vila Leopoldina, contabilizou 20 votos nominais para deputado federal, todos para homens; na E.E. Prof. Jesus José Attab, em Parelheiros, mulheres receberam 8,35%.

O Mapa da Desigualdade 2025 aponta remuneração média mensal do emprego formal de R$ 8.115,83 em Alto de Pinheiros e de R$ 5.945,02 em Pinheiros. Em Parelheiros e Grajaú, os valores são de R$ 2.715,41 e R$ 2.555,03. Os dados não permitem atribuir essas diferenças de voto ao perfil socioeconômico dos distritos, pois não indicam onde cada candidata concentrou sua campanha.
Mulheres ocupam cerca de 18% das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados, embora representem mais de 51% da população brasileira.
Para Daniela Costa, gerente de Redes e Advocacy da Girl Up Brasil em entrevista ao g1, partidos ainda distribuem recursos e oportunidades de forma desigual: “A forma como os partidos, por exemplo, dividem os recursos do fundo eleitoral, ainda é muito desigual.” A plataforma “Marias do Bairro” permite consultar a votação de mulheres em seções eleitorais, municípios e estados com base nos microdados do TSE.