Os bastidores da sessão sobre a relação de Moraes com Vorcaro no STF

Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Foto: reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) começa nesta terça-feira (15) a decidir se abre investigação contra o ministro Alexandre de Moraes a partir de um relatório da Polícia Federal sobre seus contatos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e contratos do Banco Master com o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes.

O relatório, cujo sigilo o ministro André Mendonça retirou há duas semanas, reúne mensagens, registros de encontros e arquivos de contratos. A PF aponta que o então ministro das Comunicações, Fábio Faria, apresentou Vorcaro a Moraes no fim de 2023.

Antes mesmo da sessão, os ministros devem travar embates sobre outras questões, como quem pode e não pode participar do julgamento, se o relatório da PF é válido e qual o objeto da discussão. A presença do próprio ministro é pauta, assim como a de Dias Toffoli, outro magistrado com relações com o banqueiro, e André Mendonça, quem relatou o caso e também foi exposto em uma conversa particular com o investigado.

As mensagens recuperadas no celular de Vorcaro indicam encontros nos dias 21 e 26 de dezembro de 2023, na casa de Moraes em São Paulo. O documento também cita um almoço organizado pelo banqueiro no hotel Six Senses Botanique, em Campos do Jordão (SP), em 30 de dezembro.

Em janeiro de 2024, Faria avisou a Vorcaro que havia confirmado um jantar em Brasília com o “Careca”, expressão que o relatório associa a Moraes. No dia marcado, o ex-ministro enviou ao banqueiro um endereço residencial na capital federal.

Mensagens tratam de investigação contra o Banco Master

Para a PF, Vorcaro mantinha um canal de contato com Moraes para buscar informações sobre as apurações que envolviam o Banco Master e pedir intervenções. O relatório afirma que eles usavam mensagens de visualização única enviadas como capturas de tela de textos escritos no bloco de notas dos celulares.

Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de sua primeira prisão, Vorcaro perguntou: “Acha que segunda tenho que estar fora?”. No dia seguinte, escreveu que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, poderia adiar medidas cautelares e pediu: “Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”.

Viviane Barci e Alexandre de Moraes. Foto: reprodução

Horas antes da prisão, em 17 de novembro, o banqueiro voltou a procurar Moraes: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. A PF o prendeu quando ele tentava embarcar em um jato particular que seguiria para Malta e depois Dubai; os investigadores apontaram suspeita de tentativa de deixar o país.

O relatório ainda reproduz uma mensagem de 30 de outubro de 2025 na qual Vorcaro pede que houvesse reforço junto a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para evitar que “ninguém de baixo” fizesse “uma sacanagem” com o Banco Master.

PF cita contratos entre escritório de Viviane Barci e empresas ligadas a Vorcaro

A investigação afirma que Viviane Barci de Moraes enviou a primeira minuta de um contrato ao banqueiro em 11 de janeiro de 2024. Os metadados do arquivo, segundo a PF, indicam Alexandre de Moraes como autor da última modificação do documento.

A versão final enviada em 17 de janeiro previa 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões, num total de R$ 108 milhões. A PF afirma que o arquivo registra modificações atribuídas a Moraes nos dias 11 e 15 daquele mês.

Mensagens atribuídas a Vorcaro mostram que ele classificou o repasse ao escritório Barci de Moraes como prioridade do Banco Master. Em orientações a funcionários, ele escreveu que o pagamento “não pode atrasar um dia” e seria “o pagamento mais importante que temos”.

O segundo contrato, de R$ 50 milhões, foi assinado em 12 de maio de 2025 entre o escritório de Viviane Barci e a Viking Participações, empresa ligada a Vorcaro. O acordo envolveu duas aeronaves com cotas avaliadas em US$ 6,8 milhões, e uma conversa de julho menciona o atendimento à advogada em voos dessas aeronaves.

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