
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou em defesa apresentada ao presidente da Corte, Edson Fachin, que cartões de crédito do Banco Master oferecidos a seus dois filhos, com limite de R$ 300 mil para cada um, jamais foram utilizados. Ele negou ilegalidade na oferta e acusou o relatório da Polícia Federal de construir uma “narrativa falsa”.
As mensagens reunidas pela PF tratam de conversas entre um funcionário do escritório de advocacia da família de Moraes e um empregado do banco sobre a confecção dos cartões. O Master é controlado por Daniel Vorcaro.
Em documento de 44 páginas, Moraes sustentou que o banco ofereceu os cartões aos filhos, que são advogados, sem solicitação prévia. “Diga-se de passagem, oferecimento como tantos outros bancos fazem normalmente, inclusive enviando sem que as pessoas peçam”, escreveu.
O ministro também afirmou que o relatório não mencionou a ausência de uso dos cartões. Para ele, a investigação fragmentou mensagens e atribuiu ilegalidade a uma prática que descreveu como comum no setor bancário.

Moraes contesta referência a evento na Arena MRV
Na mesma defesa, Moraes rebateu a menção a supostos convites para seus filhos participarem de um evento solidário na Arena MRV, em Belo Horizonte. O relatório trouxe a hipótese de que eles teriam comparecido à área VIP do local.
“Meus filhos nunca solicitaram esses convites e, mais grave, nunca estiveram na vida na arena MRV em Belo Horizonte”, disse o ministro. Ele classificou as informações como mentiras direcionadas contra os filhos para atingi-lo no STF.
Moraes atribuiu ao ministro André Mendonça, relator do caso, o pedido do relatório da PF que cita as conversas sobre os cartões. Em sua manifestação a Fachin, afirmou que a apuração adotou interpretações irresponsáveis e recortes de mensagens.
A defesa apresentada por Moraes busca contestar os elementos apontados pela Polícia Federal sobre a relação entre o escritório de advocacia de sua família e o Banco Master, incluindo as tratativas sobre os cartões destinados aos dois filhos do ministro.