
A Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determine ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) o compartilhamento de comunicações omitidas sobre movimentações da Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte, liderada por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. O pedido envolve dados que podem incluir autoridades com foro privilegiado.
O delegado Daniel Penido de Britto, da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros da PF em São Paulo, levou a solicitação a Mendonça, relator do caso Banco Master no STF. O Coaf deixou fora de um relatório de inteligência financeira determinadas comunicações por entender que elas poderiam envolver pessoas submetidas à prerrogativa de foro.
O relatório analisado pela PF apontou movimentação de R$ 57,1 milhões na unidade da igreja entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. Esse montante destoou do faturamento anual presumido de R$ 950 mil para a instituição.
O Coaf classificou operações bancárias como atípicas e suspeita que as transações possam ter servido para dificultar a identificação da origem, do destino e dos beneficiários finais dos recursos. Como o eventual acesso a informações de autoridades com foro depende de decisão do Supremo, a PF acionou o relator.

Movimentações envolvem cunhado do ex-dono do Banco Master
A Igreja Lagoinha Belvedere era administrada por Zettel, que está preso desde março e é investigado como um dos supostos operadores financeiros da organização atribuída ao banqueiro.
O Coaf identificou mais de 20 lançamentos feitos por Zettel na conta da igreja, que somaram R$ 19,2 milhões no período examinado. A mesma conta recebeu R$ 120 mil de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado nas investigações como “Sicário” da milícia privada atribuída a Daniel Vorcaro, também realizou depósitos na conta da instituição. Ele fez 11 transferências que totalizaram R$ 22 mil antes de morrer em uma cela da PF; as autoridades trataram o caso como suicídio.
No pedido encaminhado a Mendonça, o delegado requereu que o Coaf envie integralmente as comunicações retiradas do relatório, ao menos desde 2020. Caberá ao ministro decidir sobre a medida diante da possibilidade de os dados alcançarem autoridades com foro privilegiado.