Onde há cuidado, a luta também floresce

Foto: Alí Nacif

Por Alí Nacif
Da Página do MST

Há uma força que nem sempre aparece nas fotografias das ruas, nos bandeiraços ou nos grandes atos. É a força de quem prepara a comida, cuida da saúde, organiza os espaços, pergunta se o companheiro está bem e encontra tempo para oferecer um abraço depois de um dia inteiro de mobilização. Em Belo Horizonte, nas três primeiras semanas da Brigada Estadual de Mobilização do MST em Minas Gerais, o cuidado tem sido parte fundamental da construção coletiva.

Desde o dia 17 de agosto, a Brigada circula por diferentes bairros e comunidades da capital mineira. São dias de caminhada, conversa e escuta. Nas ruas, praças, estações, comércios e comunidades, os militantes conversam com moradores e transeuntes sobre política, direitos, participação social e sobre o futuro de Minas Gerais.

É uma construção feita por muitas mãos e que também se expressa na parceria com Patrus Ananias para o Governo de Minas, Marília Campos e Áurea Carolina para o Senado, Rogério Correia e Bella Gonçalves para a Câmara Federal e Dr. Bruno Pedralva para a Assembleia Legislativa. A Brigada está nas ruas junto dessas candidaturas, levando a conversa política para perto do povo e construindo, no cotidiano, a participação que queremos para Minas Gerais.

Foto: Nadia Nicolau / Mídia Ninja

Nesse período, Belo Horizonte também recebeu duas importantes agendas com o presidente Lula. A primeira marcou o lançamento da caminhada política, reunindo milhares de pessoas em um grande ato. Neste final de semana, a capital recebeu novamente Lula, desta vez no encontro Mulheres com Lula, realizado na Serraria Souza Pinto. Em ambos os momentos, a presença da Brigada ajudou a ocupar as ruas, fortalecer a mobilização e aproximar a política da vida concreta do povo.

Mas, para que tudo isso aconteça, existe uma outra frente de trabalho que começa muito antes de a Brigada chegar às ruas.

No Centro Popular de Educação e Cultura Carolina Maria de Jesus (CEPC), companheiras vindas de diferentes regiões de Minas Gerais ajudam a construir uma rotina de cuidado com quem está envolvido na Brigada. São mulheres que chegaram de diferentes territórios e colocam seus conhecimentos, seu tempo e sua disposição a serviço da construção coletiva.

Ali, a alimentação é preparada com atenção. A saúde é acompanhada. Os espaços são organizados. As necessidades dos companheiros são percebidas no cotidiano. O trabalho acontece muitas vezes de forma silenciosa, mas sustenta cada jornada de mobilização.

A equipe de alimentação e saúde acompanha os companheiros desde o início do dia. São cuidados que passam pela preparação das refeições, pela atenção às condições de saúde, pela organização dos momentos de descanso e pela presença constante diante das necessidades que surgem durante a caminhada.

Cuidar também é perguntar.
É perceber o cansaço de quem voltou da rua.
É preparar uma refeição para quem passou horas em atividade.
É garantir água.
É acompanhar quem precisa de atenção.
É sentar ao lado de um companheiro.
É dividir uma tarefa.
É compreender que ninguém constrói sozinho.

Nas três primeiras semanas da Brigada, esse cuidado aparece nos pequenos gestos que dão sentido à vida coletiva. Ele está na cozinha, na organização do espaço, nas equipes de saúde, nas conversas depois das atividades e na disposição de um companheiro em olhar pelo outro.

Foto: Alí Nacif

A mobilização política, assim, não acontece apenas nas ruas. Ela também acontece dentro do CEPC, onde mulheres e homens constroem as condições para que a Brigada siga caminhando.

São pessoas que vieram de longe para somar. De diferentes regiões de Minas Gerais, chegam histórias, experiências e modos de fazer. No encontro entre esses territórios, constrói-se uma casa comum durante os dias da Brigada. Uma casa que recebe, alimenta, acolhe e cuida.

E esse cuidado também é político.

Porque defender direitos significa defender a vida. Porque falar de participação social significa reconhecer que cada pessoa tem importância na construção do futuro. Porque falar de um projeto para Minas Gerais também significa pensar em como queremos viver, trabalhar, produzir, cuidar e conviver.

Fotos: Alí Nacif

Nas ruas de Belo Horizonte, a Brigada conversa sobre política. No CEPC, a Brigada pratica a política do cuidado.

Uma coisa não existe sem a outra.

O abraço depois da atividade, a comida compartilhada, a atenção com a saúde, a água oferecida durante o caminho, o descanso respeitado e a mão estendida quando alguém precisa são expressões de uma construção que entende a luta como espaço de solidariedade e companheirismo.

É assim que a Brigada segue construindo sua caminhada: com os pés nas ruas e o coração junto dos companheiros.

Três semanas depois do início das atividades, Belo Horizonte já conhece um pouco dessa força. Uma força feita de bandeiras, vozes, encontros e conversas, mas também de panelas, cuidados, escuta, saúde e afeto.

Porque toda caminhada precisa de quem caminhe junto.

E toda luta precisa de cuidado para continuar.

Em Minas Gerais, a Brigada Estadual de Mobilização do MST segue nas ruas. E, por trás de cada atividade, existe uma rede de companheiros cuidando para que ninguém caminhe sozinho.


*Editado por Fernanda Alcântara

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