
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu ajuda ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, para destravar um “ativo minerário” ligado aos negócios de um amigo. O termo designa direitos, recursos e gastos que permitem a uma empresa pesquisar e explorar minérios.
Os ativos minerários incluem a compra de autorizações, pesquisas geológicas, perfurações de teste e análises destinadas a verificar se uma área possui minério e se a extração pode gerar retorno financeiro. Eles representam tanto os direitos de exploração quanto os custos necessários para buscar e retirar recursos do solo.
Uma empresa precisa obter autorização legal e demonstrar a viabilidade técnica e econômica do projeto para registrar o ativo. Nesse setor, “liberar” ou “destravar” um ativo pode significar viabilizar autorizações e direitos necessários para pesquisas, testes de solo e eventual extração.
A contabilidade divide os bens ligados à mineração entre tangíveis e intangíveis. Direitos de exploração e autorizações entram na categoria dos intangíveis, enquanto máquinas, equipamentos e brocas são tangíveis. O tratamento contábil muda quando a empresa confirma que a extração é viável e pode dar lucro.
🚨 AGORA: Escute o áudio de Nikolas Ferreira, que mentiu dizendo que não conhecia Daniel Vorcaro. Ele chama o banqueiro de “Dani”, pede desculpas por ter feito críticas ao escândalo Bolsomaster e solicita ajuda para um negócio de R$ 200 milhões de seu advogado. A CASA CAIU! pic.twitter.com/7vKVTOhQsq
— Lázaro Rosa 🇧🇷 (@lazarorosa25) September 3, 2026
Pedido de Nikolas a Vorcaro ocorreu em março de 2025
Nikolas enviou um áudio de WhatsApp a Vorcaro em março de 2025 para tratar do ativo de seu amigo e advogado Thiago Rodrigues de Faria. O deputado disse que o negócio já havia passado por uma análise técnica, mas permanecia pendente dentro da empresa do banqueiro.
No áudio, o parlamentar chamou Vorcaro de “Dani” e “lindão”, embora tenha afirmado que não tinha proximidade com ele. Ao encaminhar o pedido, declarou: “não sei nem do que se trata, mas enfim, como é uma pessoa, enfim, que eu confio totalmente, tô passando aí pra você”.
Vorcaro respondeu minutos depois por meio de um áudio de reprodução única. Em seguida, Nikolas enviou o contato de Thiago Faria, e o banqueiro escreveu: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos”. No dia seguinte, o deputado avisou que o advogado estaria em Brasília; um dia depois, Vorcaro respondeu: “Deixa comigo”. As mensagens não esclarecem se houve encontro nem se o negócio avançou.
Nikolas admitiu dois contatos com Vorcaro, negou qualquer irregularidade e afirmou: “Não houve nenhum contrato fechado, nunca recebi nenhum centavo dele”. Thiago Faria confirmou que o contato tratava do ativo de minério, disse conhecer o banqueiro de Belo Horizonte e declarou: “Nunca fui chamado para depor na PF porque eu não tenho nada a ver com isso”.