
A produtora GoUp, responsável por “Dark Horse”, contratou uma nova perícia privada nas contas da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo a coluna de Demétrio Vecchioli no Metrópoles. Os laudos devem chegar à Polícia Federal nos próximos dias e serão incorporados ao caso que apura a origem dos recursos usados na produção.
O administrador de empresas Anísio Castelo Branco, contratado pelo escritório que defende a produtora, confirmou a preparação dos documentos. “Vamos apresentar novos laudos esta semana sobre esse caso, pedidos pelo doutor (Ricardo) Sayeg”, afirmou.
Castelo Branco também assinou a primeira perícia privada sobre as contas do filme, entregue à Polícia Civil de São Paulo em junho. Ele é dono da microempresa Instituto de Perícia Investigativa e fundador, presidente e primeiro membro da Ordem dos Peritos Judiciais de São Paulo.
O documento entrou no processo que investiga se pagamentos da Prefeitura de São Paulo ao Instituto Conhecer Brasil, ligado à GoUp, financiaram “Dark Horse”. Os valores vieram de um contrato para instalação e manutenção de pontos de wi-fi. Em agosto, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a PF a acessar a investigação conduzida pela polícia paulista.

Perito contesta informação sobre repasse de Daniel Vorcaro
Castelo Branco contestou a informação publicada pela revista Piauí de que o banqueiro Daniel Vorcaro enviou US$ 1,6 milhão ao fundo Havengate oito dias depois de uma cobrança de Flávio Bolsonaro. A revista atribuiu o dado a um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). “Um dos pagamentos não bate. A gente já andou identificando. Com a produtora do filme, pelo que verificamos até agora, está tudo certo”, disse.
O perito reconheceu que não teve acesso às contas do Havengate nem às transferências feitas por Vorcaro. A análise alcançou somente extratos bancários e pagamentos da GoUp no Brasil e de sua versão norte-americana, criada especificamente para produzir o filme.
Castelo Branco afirmou que “Dark Horse” custou R$ 75 milhões, com R$ 55 milhões gastos nos Estados Unidos e R$ 20 milhões no Brasil. “E mostramos que não teve dinheiro público nesse filme e quem foi o financiador”, declarou. A primeira perícia, porém, não identifica o financiador: o documento registra quanto as produtoras receberam e gastaram.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como responsável por pedir a Vorcaro o dinheiro destinado ao filme, inicialmente classificou a informação como “mentira”. Após a divulgação de áudios com os pedidos, prometeu apresentar as contas da produção para demonstrar o uso dos recursos. Quatro meses depois, ainda não havia divulgado esses documentos, mas passou a tratar o caso como resolvido com base na perícia privada contratada pela defesa da GoUp.