O que esperar do discurso de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU

Lula discursa na tribuna da Assembleia Geral da ONU
Lula discursa na tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas. Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre os trabalhos da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira (22), com um discurso voltado à defesa da democracia, da soberania brasileira e da reforma do Conselho de Segurança. A fala será a décima participação do petista no encontro e a última de seu atual mandato.

Como ocorre tradicionalmente, o representante do Brasil será o primeiro chefe de Estado a falar na tribuna das Nações Unidas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursará na sequência, como anfitrião do evento que reúne os 193 países-membros da organização.

Lula deve falar por cerca de 20 minutos, tempo superior aos 18 minutos de sua intervenção no ano passado. O tema oficial desta edição é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: Uma ONU que apresenta resultados para todos”.

O governo espera que o presidente mencione a necessidade de proteger a integridade das eleições brasileiras, em meio a preocupações no Palácio do Planalto com possíveis tentativas de interferência externa. A expectativa é que ele trate do assunto sem citar diretamente os Estados Unidos ou outros chefes de Estado.

Salão onde acontece a Assembléia Geral da ONU. Foto: reprodução

Lula cobra mudanças no Conselho de Segurança da ONU

Na segunda-feira (21), Lula criticou a atuação do Conselho de Segurança, formado permanentemente por China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia. “A ONU está desacreditada” e perdeu a capacidade de solucionar conflitos, afirmou o presidente.

“O que os líderes estão fazendo? Nada. Eles não estão fazendo nada. Permanecem calados, em silêncio, apenas esperando e observando a confusão se desenrolar”, disse Lula ao atacar a inação do colegiado diante das guerras em curso.

O Brasil defende há décadas um assento permanente no Conselho de Segurança e também cobra a inclusão de um representante africano. Para o governo brasileiro, a composição atual concentra poder nos cinco países que têm direito de veto e limita a capacidade do órgão de prevenir ou encerrar conflitos.

Em entrevista à CNN Internacional, Lula afirmou estar “um pouco preocupado” com uma eventual interferência do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, nas eleições brasileiras por sua proximidade com a família Bolsonaro. O presidente disse não ter confirmação de qualquer ação e relatou que pediu a Trump que os EUA não interfiram no pleito. Antes do discurso, Lula deve se reunir apenas com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e embarcará para o Brasil no início da tarde.

Artigo Anterior

Quando o Judiciário se envolve na eleição política, isso não termina bem

Próximo Artigo

O ministro do STF que recusou convite de Vorcaro para degustar uísque em Londres

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!