
A chapa de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará entrou em um impasse jurídico na reta final da eleição depois que o ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a interdição das candidaturas de Roberto Cláudio (União Brasil), vice de Ciro, e Capitão Wagner (União Brasil), candidato ao Senado.
A liminar também suspendeu o recebimento e o uso de recursos ainda não gastos do Fundo Eleitoral pelas candidaturas atingidas e seus suplentes. A propaganda de rádio e televisão da coligação destinada à candidatura de Capitão Wagner ao Senado também foi suspensa, medida que reduz o tempo de propaganda disponível à chapa de Ciro.
Um dia depois da decisão, Floriano de Azevedo Marques declarou-se impedido de continuar como relator. Horas antes, Roberto Cláudio e Capitão Wagner haviam levantado questionamentos porque uma filha do ministro atua como advogada de Júnior Mano (PSB), suplente de Cid Gomes (PSB) ao Senado na chapa apoiada pelo governador Elmano de Freitas (PT).
Marques, no entanto, não atribuiu sua saída desse processo diretamente a essa relação. Em despacho, afirmou ter tomado conhecimento de um “fato superveniente relacionado a processo de caráter sigiloso em trâmite no Supremo Tribunal Federal”. O ministro escreveu que a situação “sequer tangencia hipótese de impedimento”, mas considerou inadequado permanecer na relatoria diante de possíveis dúvidas sobre sua imparcialidade.

A disputa começou com o racha entre o comando da federação União Brasil-Progressistas no Ceará e os diretórios estaduais dos dois partidos. As direções locais aprovaram apoio a Elmano, enquanto o grupo comandado por Capitão Wagner fechou com Ciro. A briga foi judicializada, e a liminar de Floriano favoreceu os diretórios estaduais.
A composição de Ciro com Roberto Cláudio e Capitão Wagner já vinha sendo construída desde o início do ano. O próprio Ciro havia anunciado uma chapa ao lado dos antigos adversários, e depois sua aliança recebeu também apoio do PL. A composição com Roberto Cláudio na vice e Wagner na disputa ao Senado já estava desenhada.
Agora, os processos serão redistribuídos pela Presidência do TSE. O novo relator terá de decidir se mantém, modifica ou derruba a tutela de emergência que atingiu as candidaturas — decisão com efeito direto sobre a chapa de Ciro a poucos dias do primeiro turno.