
Richarlison, atacante que joga na Inglaterra, interagiu com uma publicação do Metrópoles no Instagram sobre o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL), que afirma ter perdido R$ 163 milhões em apostas na Blaze. A notícia menciona movimentações de quase R$ 5 bilhões em apostas. Tomaz é o mesmo advogado cuja empresa obteve a posse de uma mansão em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, na qual o jogador afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões. Na postagem, o atleta escreveu: “Minha casa não quer devolver né!!!” (sic).
A interação retoma uma disputa que Richarlison mantém em suas redes sociais. O atacante denunciou publicamente que ficou sem a casa e sem recuperar o dinheiro. Em julho, compartilhou um vídeo publicado por Flávio com imagens aéreas da propriedade e escreveu: “Lugar bonito, né? Pois é. Me tomaram”. Na quinta-feira (24), voltou ao assunto com uma foto do local e a frase “A ilha que me tomaram”.
Na ação contra a Blaze, divulgada nesta terça-feira (29), Tomaz tenta recuperar os R$ 163 milhões e alega compulsão por jogos e falhas nas medidas de proteção ao apostador. Os valores apresentados indicam R$ 4,8 bilhões em ganhos e R$ 4,963 bilhões em perdas em 2025, com saldo negativo de aproximadamente R$ 163 milhões. Em resposta publicada pelo UOL, a defesa classificou as cifras divulgadas como fantasiosas e afirmou que não faria outros comentários por se tratar de assunto pessoal.
A disputa pela mansão começou após uma negociação realizada em 2020 por empresas ligadas ao jogador e a seus sócios. A propriedade fica na Ilha Comprida, em terreno da União, e reúne 11 suítes, piscina, heliponto e acesso a uma cachoeira. A WT Administração de Imóveis e Bens, ligada a Tomaz, adquiriu direitos de outra empresa, a M Locadora de Veículos e Transportes Turísticos, e buscou judicialmente a posse. Em 2022, uma ordem judicial retirou o imóvel do grupo ligado ao atleta.

Flávio Bolsonaro visitou a mansão antes de a empresa do amigo obter a posse e foi arrolado como testemunha pelos advogados ligados a Richarlison. Uma das visitas ocorreu na companhia de Tomaz. O senador não era parte da ação, e sua assessoria negou que ele tivesse comprado, vendido ou intermediado o imóvel. Tomaz também nega que o parlamentar seja seu sócio ou tenha participado da aquisição.
A documentação da propriedade trouxe outro personagem ao caso: uma ex-funcionária do escritório de Tomaz que assinou documentos como dirigente da empresa. Lídia Maria Figueiredo Mazelli constava como diretora-presidente da WT, mas afirmou trabalhar como doméstica e desconhecer sua participação nas empresas ao ser abordada por jornalistas. A assessoria do advogado disse que ela respondeu de forma evasiva por medo e sustentou que tem formação em Administração e experiência em gestão.
A disputa pela posse terminou em 2025 com resultado favorável à empresa de Tomaz. A Sport 70 e Renato Velasco, ex-empresário de Richarlison, desistiram de recursos e reconheceram os direitos da WT sobre o imóvel. O processo transitou em julgado e foi arquivado. A desistência ocorreu depois do rompimento entre o atacante e seu antigo representante.
A defesa de Tomaz sustenta que a aquisição teve escritura pública, autorização da Secretaria do Patrimônio da União e pagamento de laudêmio, além de reconhecimento judicial. Richarlison mantém a reclamação sobre o prejuízo que afirma ter sofrido e, mesmo após o encerramento do processo, voltou a expor a perda da casa na qual diz ter investido milhões.