
Nadia Beller recebeu alta neste sábado (22) da Clínica Las Américas, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, após passar cinco dias internada em decorrência do ataque a tiros sofrido em 17 de agosto. A saída do hospital ocorreu sob forte esquema de segurança, com policiais acompanhando a mulher, que deixou a unidade em uma cadeira de rodas.
Beller foi atacada por dois homens que, segundo as investigações, estavam disfarçados de entregadores. Ela recebeu três tiros na entrada do Swiss Hotel. Desde então, as autoridades bolivianas mantêm vigilância tanto sobre a vítima quanto sobre sua residência.
A mulher é ex-companheira de Fernando Cerimedo, consultor político argentino que trabalhou com Javier Milei e mantém relações com setores da direita latino-americana e com o bolsonarismo. Cerimedo está preso preventivamente na Bolívia por 180 dias e é investigado como suposto autor intelectual do ataque.
Beller acusa Cerimedo
Ainda internada, Beller divulgou imagens dos ferimentos provocados pelos disparos e publicou uma mensagem dirigida ao ex-companheiro: “Que Deus te perdoe, Fernando Cerimedo.”
Em entrevista ao Página/12, ela reafirmou que considera Cerimedo responsável pela tentativa de feminicídio e disse que ele teria conhecimento de informações sobre supostos casos de corrupção envolvendo o governo de Milei.
Segundo Beller, Cerimedo teria contado que era próximo de integrantes importantes da administração argentina e que havia participado de disputas internas dentro do governo de La Libertad Avanza.
Sobre o ataque, ela afirmou que foi o próprio Cerimedo quem a convenceu a ir ao Swiss Hotel.
“Ele mentiu para que eu fosse confiante”, relatou Beller, segundo o jornal argentino.

Mensagens encontradas no celular complicam Cerimedo
A investigação boliviana ganhou força após a análise do celular de Cerimedo.
Entre os materiais encontrados estaria uma anotação com uma mensagem atribuída ao consultor: “Nadia nos vendeu. Ou eliminamos ou estamos ferrados. Você conhece alguém que possa fazer esse trabalho?”
O conteúdo passou a ser tratado pela Justiça boliviana como um dos elementos que podem sustentar a acusação contra o ex-assessor de Milei.
Também vieram a público mensagens trocadas no momento do ataque. Segundo o Página/12, uma pessoa identificada pelas iniciais ECG teria enviado informações sobre a localização de Beller e, posteriormente, comunicado que ela havia sido baleada.
A mensagem dizia que a mulher havia sido atingida por dois homens que chegaram em uma motocicleta. Fotos do hotel e da moto também teriam sido compartilhadas na conversa.
As autoridades ainda precisam estabelecer a identidade e o papel de todas as pessoas envolvidas nas mensagens e no ataque.
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Cerimedo segue preso por 180 dias
A Justiça boliviana determinou 180 dias de prisão preventiva para Cerimedo, acusado de ser o suposto autor intelectual da tentativa de feminicídio.
O caso também envolve possíveis conexões políticas e financeiras que ultrapassam a Bolívia. Cerimedo foi uma figura importante na comunicação política de Milei e manteve relações com nomes da direita brasileira, incluindo Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro.

Antes de ser preso, ele também era apontado como um operador com trânsito entre diferentes setores da direita internacional.
Agora, enquanto Beller deixa o hospital sob proteção policial, Cerimedo permanece detido e sob investigação.
O caso ainda está em andamento, e caberá à Justiça boliviana determinar se as mensagens, depoimentos e demais elementos reunidos pelos investigadores são suficientes para comprovar a participação do consultor no planejamento do ataque.