Moraes retira dois processos do 8/1 da pauta após derrota no STF; entenda

Ataque golpista de 8 de janeiro de 2023 em Brasília. Foto: Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes retirou da pauta do plenário virtual do Supremo Tribunal Federal (STF) dois processos de condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro que pedem o abatimento, na pena, do período cumprido sob medidas cautelares, segundo o UOL. A decisão ocorreu após o ministro ficar vencido em julgamento sobre o mesmo tema.

Os casos retirados envolvem Rosa Maria Pinto Vanderley e Carlos Daniel Aragão de Araújo, que acamparam diante do Quartel-General do Exército, em Brasília. Os dois processos estavam previstos para julgamento virtual entre 14 e 21 de agosto.

A derrota de Moraes ocorreu em 6 de agosto, no processo de Simone Macedo, presa em 9 de janeiro de 2023 no acampamento em frente ao QG do Exército. Ela solicitou que as restrições impostas antes da condenação entrassem no cálculo de sua pena.

Por 6 votos a 4, o STF aceitou o recálculo. A maioria entendeu que o tempo submetido a cautelares diversas da prisão, como recolhimento domiciliar noturno e uso de tornozeleira eletrônica, pode contar para a detração penal.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Foto: Sophia Santos/STF

STF formou maioria após divergência aberta por Zanin

A detração penal permite descontar da pena definitiva o período em que a pessoa ficou privada de liberdade provisoriamente. No julgamento de Simone, os ministros estenderam esse entendimento às restrições decorrentes de medidas cautelares.

O ministro Cristiano Zanin abriu a divergência em relação ao voto de Moraes e reuniu a maioria que reconheceu o pedido de Simone Macedo. O resultado deixou Moraes em minoria no plenário.

Os julgamentos de Rosa Maria Pinto Vanderley e Carlos Daniel Aragão de Araújo começaram em 17 de abril, mas Zanin pediu vista dos processos. Com a retirada de pauta, o Supremo ainda não definiu quando analisará novamente os pedidos.

Permanece em aberto se Moraes aplicará diretamente aos dois casos o entendimento consolidado pelo plenário ou se levará as ações a um novo julgamento. O gabinete do ministro foi procurado e não havia se manifestado até a publicação da informação.

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