O governo de Javier Milei fechou um acordo com a gestão de Donald Trump para priorizar o fornecimento de terras raras e minerais críticos, como lítio e cobre, ao setor de defesa e ao mercado industrial dos Estados Unidos. Em troca da concessão exclusiva, a Argentina receberá até US$ 7 bilhões em financiamentos.
O anúncio foi formalizado em Nova York com o lançamento do chamado Corredor Andes-Atlântico. A iniciativa visa construir e modernizar uma ampla infraestrutura logística, incluindo ferrovias de carga, gasodutos, redes elétricas e conexões digitais, para escoar os recursos do noroeste argentino e do campo energético de Vaca Muerta diretamente aos portos do Atlântico e à Hidrovia Paraná-Paraguai.
As regras do pacto, no entanto, determinam uma contrapartida rígida para a Argentina. O financiamento liberado nos próximos anos exige que Buenos Aires contrate produtos, serviços e equipamentos exclusivamente de companhias norte-americanas, blindando a cadeia de suprimentos sul-americana e limitando o avanço de concorrentes como a China na região.
Investimento condicionado a fornecedores americanos
A arquitetura financeira da parceria envolve o Banco de Exportação e Importação dos EUA (Exim Bank) e a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional (DFC). A maior fatia dos recursos, estimada em até US$ 6 bilhões via carta de intenções do Exim Bank, será destinada ao megaprojeto Argentina LNG, focado no processamento e na exportação de gás natural liquefeito em Vaca Muerta, conduzido pela estatal YPF e parceiros privados.
No entanto, o acesso ao capital permanece condicionado ao direcionamento dos contratos para a indústria norte-americana. Empresas como a americana Pumpco e a Metrotel já garantiram acordos bilionários e licenças operacionais de engenharia e telecomunicações associadas à infraestrutura do corredor.
“Investir na Argentina fortalece a segurança econômica dos EUA“, declarou o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, durante o evento no consulado argentino em Nova York. “O mundo precisa do que a Argentina pode produzir. Vamos transformar essa oportunidade em resultados tangíveis“, acrescentou.
Estratégia geopolítica e efeito na política brasileira
Pelo lado de Washington, a investida sobre as reservas argentinas integra o plano Pax Silica, promovido pelo governo Trump para assegurar o controle de minerais estratégicos fundamentais para a transição energética e tecnologias militares. Uma delegação oficial chefiada pelo subsecretário de Estado Christopher Landau viajará a Buenos Aires, Salta e Jujuy em outubro para promover reuniões com empresários locais e consolidar os leilões de concessão.
A aliança entre a Casa Branca e a Casa Rosada ultrapassa as fronteiras argentinas e já projeta reflexos no cenário político brasileiro. Interlocutores da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) mantêm discussões reservadas com setores empresariais, apontando a conduta de Milei como referência de política externa. A intenção de aliados da extrema direita brasileira é replicar um modelo semelhante de alinhamento irrestrito a Washington para a exploração de minerais críticos em solo brasileiro.
Com informações de Jamil Chade, no Icl Notícias; e Clarín