
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro encontrou o presidente argentino Javier Milei nesta quarta-feira (14), durante um evento de gala em Washington, nos Estados Unidos. O encontro reuniu o irmão de Flávio Bolsonaro (PL) a um dos principais aliados internacionais da candidatura e referência para seu programa econômico. Na cerimônia, Milei atacou o presidente Lula e manifestou apoio à vitória do candidato do PL no segundo turno.
Um vídeo divulgado por Eduardo mostra os dois se aproximando, conversando e se abraçando em um ambiente com iluminação vermelha. Ambos participaram como convidados de honra da Official Hispanic Heritage Gala, realizada no Andrew W. Mellon Auditorium. Organizado pela Latino Wall Street Foundation, o evento foi apresentado como uma celebração das contribuições da comunidade hispânica nos Estados Unidos.
No discurso, Milei chamou Lula de “ditador comunista” e afirmou esperar que Flávio o derrotasse na eleição brasileira. Também enviou uma mensagem de apoio a Jair Bolsonaro, cuja prisão voltou a apresentar como perseguição. O ingresso mais barato da cerimônia custava US$ 3 mil, cerca de R$ 15 mil. Eduardo subiu ao palco, abraçou o argentino e posou para fotografias com ele.
A aproximação tem conteúdo programático. Milei é apresentado pela equipe de Flávio Bolsonaro como uma referência econômica. A coordenadora do núcleo econômico da campanha, Daniella Marques, classificou o argentino como “um ótimo exemplo” e afirmou que a equipe havia mapeado mais de mil normas para revogar. A inspiração envolve desregulamentação, redução de impostos e enxugamento da máquina pública.
Milei acaba de se encontrar com Eduardo Bolsonaro pic.twitter.com/2YweNCRWWs
— Alex Moretti (@Alexmorettibr) October 15, 2026
Em sua participação na gala, Eduardo associou uma eventual vitória do irmão ao fortalecimento de uma aliança entre governos de direita da América Latina e os Estados Unidos de Donald Trump. Antes do encontro, disse que pretendia agradecer a Milei pela postura em relação aos brasileiros condenados pelos ataques de 8 de Janeiro e discutir uma aproximação entre Brasil e Argentina caso Flávio fosse eleito.
O evento ocorreu enquanto Eduardo se recusa a retornar ao Brasil para cumprir a pena de quatro anos e dois meses de prisão por coação. Na mesma ocasião, ele voltou a atacar Alexandre de Moraes e defendeu a saída do ministro do Supremo. A presença ao lado de Milei combinou, assim, a campanha pelo irmão com a ofensiva contra as decisões do Judiciário brasileiro.
O encontro já vinha sendo anunciado antes da viagem e ocorreu a 11 dias da votação de 25 de outubro. Ao receber Eduardo e pedir a derrota de Lula, Milei reforçou sua participação pública na disputa brasileira e o vínculo entre seu governo e o projeto político da família Bolsonaro.