“Manifestação provocativa”, diz Campopiano sobre ataque transfóbico a Erika Hilton

Eduarda Campopiano
Eduarda Campopiano. Foto: Reprodução

A deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL-SP) classificou como uma “manifestação provocativa realizada no contexto de debate político nas redes sociais” a publicação em que chamou a deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL-SP) de “homem biológico”. A informação é da coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.

A fala ocorre após parlamentares do PSOL acionarem o Ministério Público contra ela por declarações transfóbicas. Na postagem, Campopiano questionou Hilton sobre como seria saber que “um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo”.

Hilton foi reeleita deputada federal no domingo (4), com 1,5 milhão de votos, e se tornou a mulher mais votada da história para a Câmara.

A assessoria de Campopiano afirmou que a publicação não teve intenção de promover “discriminação, violência ou hostilidade contra qualquer pessoa”. O post ultrapassou 3 milhões de visualizações nas redes sociais.

A deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL-SP) apresentou representação ao Ministério Público de São Paulo por transfobia e violência política de gênero. Ela pede a abertura de inquérito policial e a responsabilização da parlamentar do PL.

Representação aponta ataque à identidade de gênero de Erika Hilton

Na representação, Favero sustenta que a postagem desrespeita a identidade de gênero de Erika Hilton e tenta submetê-la a “escárnio, humilhação e violência” por parte de seguidores. A parlamentar também aponta possível violência política de gênero contra uma mulher que exerce mandato eletivo.

Eduarda Campopiano, de 23 anos, foi a deputada estadual mais votada de São Paulo nas eleições de domingo (4), com 1.956.238 votos. Ela se autointitula “a maior inimiga das feministas de São Paulo”.

A deputada federal reeleita Sônia Guajajara (PSOL-SP) informou que sua equipe jurídica registrará notícia-crime no Ministério Público Federal contra Campopiano por declarações dadas em maio, no podcast “RedCast”.

No programa, Campopiano associou povos indígenas ao canibalismo e à violência contra crianças ao falar sobre a colonização e agradecer pela catequização indígena. Guajajara classificou as falas como discriminatórias e ofensivas e disse que cobrará providências sobre o boletim de ocorrência registrado na época pela rapper indígena Katú Mirim.

A defesa de Campopiano declarou que tratará eventuais questionamentos jurídicos pelos meios processuais adequados e que ainda não recebeu notificação formal nem teve acesso integral aos autos. Por isso, afirmou que “não haverá manifestação específica sobre o mérito da representação antes do conhecimento de seu conteúdo”.

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