
O presidente Lula (PT) afirmou que um documento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com exigências sobre eleições brasileiras e terras raras está no “arquivo morto” do governo. Em entrevista à Rádio Itatiaia nesta quinta (17), Lula disse que o Brasil recusou a proposta assim que a recebeu.
O texto teria sido apresentado na primeira reunião entre os dois governos após os Estados Unidos imporem uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. A mensagem reunia 21 exigências de caráter político e eleitoral, entre elas a autorização para que “dissidentes políticos” participassem das eleições de 2026.
“Foi a primeira comunicação que nós recebemos e recusamos, sabe? Nem discutimos o documento porque era inaceitável”, declarou Lula. O presidente acrescentou que o governo não abriu negociação sobre os termos apresentados.
Lula também contestou a pretensão de dar preferência a empresas americanas em projetos ligados a terras raras no país. “Não foi discutido, não será discutido e não está discutido”, afirmou ao tratar da exploração das reservas minerais brasileiras.
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Lula defende urnas eletrônicas e controle brasileiro sobre minerais
Na entrevista, o presidente elogiou o sistema de votação eletrônica e afirmou que Trump não enfrentaria demora na apuração eleitoral se os Estados Unidos adotassem o modelo brasileiro. “O Trump, se tivesse utilizado o processo brasileiro, não teria problema de ficar esperando vários dias para saber o resultado eleitoral”, disse.
Lula defendeu a segurança e a autonomia das eleições nacionais e classificou o documento como “velho” e “ultrapassado”. Segundo ele, a proposta não integra qualquer discussão do governo brasileiro.
Ao falar das terras raras, o presidente afirmou que a exploração e a comercialização dos recursos devem permanecer sob controle do país. “Aqui no Brasil os direitos [das terras raras] são nossos, nós vamos explorar, vamos transformá-los, vamos vendê-los. Aqui as eleições são nossas, nós temos o processo eleitoral mais seguro do mundo”, declarou.
Na véspera da entrevista, Lula sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos, Estratégicos e Terras Raras. Durante a cerimônia, criticou interferências estrangeiras e afirmou: “Não repetiremos a história, não somos e não seremos nunca mais colônia de quem quer que seja”.