Lula apoia reciprocidade diante de “abuso americano” contra delegado da PF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que, caso tenha ocorrido um “abuso americano” em relação ao delegado da Polícia Federal, que esteve envolvido na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem, cuja saída dos Estados Unidos foi ordenada pelo governo americano nesta segunda-feira (20), o Brasil poderá responder da mesma forma.

“Não tenho informações sobre o ocorrido. Fui avisado hoje pela manhã. Acredito que, se houve um abuso por parte dos Estados Unidos em relação ao nosso policial, nós tomaremos medidas semelhantes com os deles aqui no Brasil. Não há espaço para discussões”, afirmou Lula a jornalistas nesta terça-feira (21), na Alemanha, onde realiza uma série de compromissos oficiais.

O presidente acrescentou: “Desejamos que tudo ocorra da maneira mais correta possível, mas não podemos aceitar essa ingerência, esse abuso de autoridade que alguns indivíduos americanos tentam exercer em relação ao Brasil”.

Nesta segunda-feira (20), o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos anunciou ter solicitado a saída de um “funcionário brasileiro” do território americano. Embora a mensagem não tenha mencionado nomes, o texto sugeria que se tratava de um delegado da Polícia Federal.

Saiba mais: Ramagem pode ser deportado para cumprir pena no Brasil

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA insinuou, em postagens nas redes sociais, que o delegado teria manipulado o sistema de imigração do país “para evitar pedidos formais de extradição e prolongar perseguições políticas em território americano”. Até o momento, tanto a PF quanto o Itamaraty não se manifestaram sobre o pedido de saída.

O delegado da PF — identificado pela mídia brasileira como Marcelo Ivo de Carvalho — esteve envolvido na operação que, na semana passada, resultou na prisão do ex-deputado bolsonarista Alexandre Ramagem (PL-RJ) em Orlando, na Flórida.

Ramagem estava foragido e tinha a prisão decretada no Brasil para cumprir uma pena de 16 anos por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados à situação, que também resultaram na prisão de Jair Bolsonaro (PL) e outros aliados e oficiais de alta patente. A detenção foi realizada pelo ICE (Immigration and Customs Enforcement).

A Polícia Federal informou que “a prisão foi resultado da cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e as autoridades dos EUA. O detido é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação por crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito”.

Ramagem foi liberado na quarta (15) e continua em solo americano. Em um vídeo, agradeceu à liderança do governo de Donald Trump pela sua soltura. O bolsonarista solicitou asilo político nos EUA, enquanto o governo brasileiro busca sua extradição para o cumprimento da pena no país.

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