O vice-diretor-geral responsável pelos EUA no ministério das Relações Exteriores de Cuba, Alejandro García del Toro, confirmou, em entrevista ao jornal Granma, que ocorreu um encontro recente entre representantes cubanos e estadunidenses para discutir as sanções que o governo de Donald Trump impôs à ilha.
“É uma questão sensível que, como já mencionamos, estamos abordando com cautela”, afirmou del Toro. No entanto, ele acrescentou: “posso assegurar que uma reunião entre as delegações cubanas e norte-americanas foi realizada recentemente aqui em Cuba. A parte americana foi representada por assessores do Secretário de Estado, enquanto a parte cubana contou com a presença do vice-ministro das Relações Exteriores”.
Conforme del Toro, durante o encontro “nenhuma das partes estabeleceu prazos ou fez declarações ameaçadoras, como foi reportado pela mídia americana. Todo o diálogo foi respeitoso e profissional”.
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Ele enfatizou que “a remoção do bloqueio energético contra o país é uma prioridade fundamental para nossa delegação. Essa forma de coerção econômica é uma punição injusta para toda a população cubana. Também representa uma forma de chantagem global contra Estados soberanos, que têm o direito de exportar combustível para Cuba conforme os princípios do livre comércio”.
O bloqueio de combustíveis — instituído em janeiro por Trump — opera por meio de severas sanções a países e empresas que fornecem petróleo para a ilha, com o objetivo de sufocar a economia e induzir uma mudança política.
A estratégia inclui ameaças de tarifas adicionais e restrições financeiras, interrompendo o envio de combustíveis da Venezuela e de outros fornecedores.
Com esse tipo de chantagem, a população cubana tem enfrentado sérias consequências sociais, humanitárias e econômicas, além de receber apoio internacional, inclusive por meio de doações.
Lula rechaça bloqueio
Durante sua visita à Espanha e à Alemanha entre os dias 18 e 20, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou a atenção das autoridades para a situação de Cuba.
Na 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia, em Barcelona, no sábado (18), o presidente expressou sua “grande preocupação com Cuba” e defendeu o fim das sanções e o direito do povo cubano à sua soberania.
Ele também afirmou que “os problemas de Cuba são dos cubanos. Não são problemas do Lula, da Cláudia (Sheinbaum, presidente do México) ou do Trump”. E ressaltou: “Parem com esse bloqueio cruel a Cuba e deixem os cubanos viverem suas vidas”.
Em uma coletiva de imprensa ao lado do primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, em Hanover, na segunda (20), Lula reafirmou sua posição contrária a intervenções unilaterais, incluindo em relação a Cuba: “Sou contra a falta de respeito à integridade territorial das nações. Sou contra qualquer país do mundo interferir na política de como uma sociedade deve se organizar ou não”.