O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou nesta terça-feira, 21, em Lisboa, a importância de promover um mundo com maior diálogo e colaboração entre países, afirmando que o Brasil não se vincula automaticamente a nenhuma potência global. “Não temos preferência comercial entre China e Estados Unidos. Queremos manter relações com todos”, declarou, ao lado do primeiro-ministro português Luís Montenegro.
Durante a declaração conjunta à imprensa, Lula deixou evidente que a estratégia do governo brasileiro busca o fortalecimento do multilateralismo e a busca por soluções diplomáticas para os conflitos internacionais. O presidente mencionou que o mundo não deve aceitar uma nova divisão geopolítica que se baseie na lógica da Guerra Fria. “Não aceitamos uma Segunda Guerra Fria”, destacou.
Críticas a Trump e ao unilateralismo
Durante sua fala, Lula criticou a trivialização de conflitos e a falta de mecanismos eficazes de mediação global, mencionando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de forma irônica.
“Todo santo dia vemos declarações do presidente Trump dizendo que já encerrou oito guerras e que ainda não ganhou o prêmio Nobel da Paz”, comentou. “É importante que a gente logo conceda um prêmio Nobel a ele, para que não haja mais guerras”, completou.
A declaração ocorre em um contexto de tensões internacionais e aumento de conflitos pelo mundo, que, segundo Lula, já atingiu o maior nível desde a Segunda Guerra Mundial.
Lula voltou a defender a necessidade de reformas estruturais na governança global, incluindo a reestruturação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e o fortalecimento de instituições multilaterais como a Organização Mundial do Comércio (OMC).
Portugal como parceiro estratégico
O presidente enfatizou a importância estratégica de Portugal na relação entre Brasil e União Europeia. Segundo Lula, o país europeu deve deixar de ser apenas uma “porta de entrada” e se tornar um parceiro ativo na realização de projetos em conjunto.
“Não queremos que Portugal seja apenas a porta de entrada, mas sim a porta para a construção de uma parceria sólida”, afirmou.
Lula citou como exemplo o sucesso da Embraer em solo português e defendeu a ampliação de investimentos brasileiros no país, aproveitando o acordo entre Mercosul e União Europeia. De acordo com ele, essa parceria pode trazer benefícios econômicos mútuos e fortalecer cadeias produtivas em ambos os lados do Atlântico.
O presidente também destacou que Brasil e Portugal estão vivendo “o melhor momento das relações” e enfatizou a importância de aprofundar os laços históricos, culturais e econômicos entre as duas nações.
Ao longo de seu discurso, Lula reiterou que a prioridade do Brasil é construir um ambiente internacional baseado na cooperação e no respeito mútuo. Para ele, a solução para as crises globais passa obrigatoriamente pelo diálogo, e não pela imposição de interesses unilaterais.
A visita de Lula a Portugal encerra a agenda do presidente brasileiro na Europa. Antes de sua passagem por Lisboa, o petista esteve na Alemanha e na Espanha.
Da Rede PT de Comunicação.