
A EFB Regimes Especiais, liquidante do Banco Master, pediu à Justiça dos Estados Unidos proteção sobre US$ 42 milhões, aproximadamente R$ 219 milhões, ligados à revenda de um jato Gulfstream G700 atribuído a Daniel Vorcaro. A petição sustenta que os recursos correm risco de dissipação. Com informações do Estadão.
A aeronave foi comprada por US$ 79,44 milhões em dezembro de 2023, cerca de R$ 414 milhões pela cotação utilizada na reportagem. A defesa de Vorcaro informou ao Estadão que não comentaria o caso.
Segundo o liquidante, a Domus, anteriormente chamada Prime Aviation 2, assinou o contrato de aquisição do avião, de número de série 87039. A EFB afirma que a empresa integrava uma estrutura de ocultação patrimonial que teria Vorcaro como beneficiário final.
A petição sustenta que todo o dinheiro empregado na compra saiu da tesouraria do Banco Master. Os valores teriam sido convertidos em dólares pela conta do banco no JPMorgan Chase, em Nova York, e enviados à fabricante por fundos e empresas que, na versão do liquidante, funcionaram como intermediários da operação.

O Gulfstream foi entregue e registrado no Brasil em junho de 2025, em nome da PS-MGG Administração de Bem Próprio S.A. A EFB afirma que Vorcaro utilizava o jato em viagens pessoais, incluindo deslocamentos a Miami e à Sardenha.
Em 6 de novembro de 2025, o transponder usado no rastreamento da aeronave foi desligado, 11 dias antes da prisão de Vorcaro e 12 dias antes da liquidação do Master. Assessores internacionais do liquidante localizaram o avião em um hangar privado no Aeroporto de Basileia-Mulhouse-Freiburg, na fronteira entre França e Suíça.
A PS-MGG vendeu o jato à Jetcraft Global (UK) Limited por US$ 86 milhões em 31 de dezembro de 2025. Em 17 de fevereiro de 2026, a Jetcraft o revendeu à Flexjet LLC por US$ 87,5 milhões.
A Flexjet depositou os recursos em uma conta de custódia administrada pela Insured Aircraft Title Services. Segundo a petição, ao menos US$ 42 milhões foram repassados à PS-MGG, enquanto aproximadamente outros US$ 42 milhões permaneceram retidos. O liquidante pede uma garantia judicial sobre essa quantia e a anulação das transferências que considera fraudulentas.