
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, acionou o Supremo Tribunal Federal para pedir a abertura de investigação sobre Flávio Bolsonaro no âmbito da Operação Postal OFF. A Polícia Federal apurou um esquema que teria causado prejuízo de pelo menos R$ 94 milhões aos Correios, baseado no recebimento de grandes volumes de correspondências com cobrança inferior ao que efetivamente era postado.
Segundo a investigação, a fraude dependia da atuação de servidores e dirigentes em posições estratégicas da estatal, capazes de permitir o subfaturamento e neutralizar os controles internos.
A petição aponta três referências independentes à atuação de Flávio na intermediação de cargos nos Correios. A mais grave aparece em áudios de fevereiro de 2019: segundo o material, um empresário viajaria a Brasília levando uma proposta de indicação para a direção da estatal e, em contrapartida à nomeação, haveria pagamento mensal de R$ 1 milhão.

Outro áudio relata o retorno da viagem e afirma que a proposta teria sido apresentada ao parlamentar, inclusive com menção à contrapartida financeira. Em outro episódio, interceptações telefônicas registraram a afirmação de que um senador de sobrenome Bolsonaro teria solicitado indicação de nome para comandar a estatal em São Paulo.
A abertura da investigação é pedida porque, segundo Lindbergh, esses elementos nunca foram efetivamente apurados. Os principais áudios teriam permanecido fora dos autos por mais de um ano e só foram juntados em fevereiro de 2021, depois de encerrada a fase ostensiva da operação, sem que fossem confrontados com quebras de sigilo, buscas, interceptações ou acareações.
A petição pede ainda a preservação imediata das provas, perícia nas mídias e a oitiva dos envolvidos para esclarecer an eventual participação de Flávio Bolsonaro e de outras pessoas no esquema.