
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sinalizaram a interlocutores do governo Lula e do PT que não votarão pelo afastamento de Kassio Nunes Marques de julgamentos eleitorais que envolvem o presidente e o partido, segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo. A indicação reduziu o impulso de lideranças petistas que discutiam apresentar um pedido de suspeição contra o presidente da corte eleitoral.
O grupo avalia que decisões de Kassio têm favorecido Flávio Bolsonaro, adversário de Lula na disputa presidencial. Indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio, o ministro nega que atue em benefício de qualquer candidatura.
Entre as decisões contestadas pelo PT está a retirada do perfil “Exército do Lula” do ar por 48 horas. O deputado federal André Janones (PT-MG) criou a conta, que integra a estratégia digital da campanha petista.
Advogados e dirigentes partidários passaram a se posicionar contra o pedido por considerarem que a medida geraria desgaste sem perspectiva de êxito. Eles também avaliam que levar novamente o Judiciário para o centro da campanha poderia prejudicar Lula em um momento considerado favorável pela legenda.

PT considera a mudança na composição do TSE
A estratégia inicial previa protocolar a suspeição perante o próprio Kassio. Caso ele mantivesse sua participação nos processos, o plano incluía recorrer ao plenário do TSE e até ao ministro Flávio Dino, no STF, para tentar limitar os poderes do presidente da corte eleitoral em decisões individuais.
Magistrados das duas cortes, porém, avisaram que a iniciativa não avançaria. O posicionamento fez a proposta perder força no PT, embora integrantes da campanha ainda defendam que o pedido poderia expressar o grau de insatisfação com as decisões do ministro.
Também pesou na reavaliação a troca de integrantes do TSE. Antônio Carlos Ferreira, apontado como alinhado a Kassio e ao ministro André Mendonça, deixou o tribunal com o fim de seu mandato, e Sebastião Reis assumiu a vaga.
Petistas entendem que a mudança alterou a correlação de forças no TSE em favor de ministros mais distantes de Flávio Bolsonaro e mais próximos do PT. Kassio disse a interlocutores que as críticas tentam intimidá-lo e afirmou que segue um padrão decisório, pedindo destaque quando considera que a jurisprudência da corte não é respeitada.