
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), procurou líderes do centrão e de partidos de esquerda para reunir apoio à sua reeleição em fevereiro de 2027. A articulação responde ao PL, que terá a maior bancada da Casa e pretende eleger um deputado alinhado ao bolsonarismo para comandar o Legislativo.
O PDT anunciou apoio a Motta nesta quarta-feira (14), após uma reunião do deputado com o presidente nacional da sigla, Carlos Lupi. O líder pedetista na Câmara, André Figueiredo (CE), afirmou que o partido decidiu apoiá-lo por seu diálogo com os parlamentares e pelo cumprimento de compromissos legislativos.
“Ele é um presidente que mantém um bom diálogo com os parlamentares, tem respeitabilidade na Câmara dos Deputados e cumpre os compromissos legislativos assumidos. Por isso decidimos apoiar a reeleição do Hugo”, disse Figueiredo.
Motta intensificou as conversas com lideranças durante a retomada dos trabalhos da Câmara. Ele recebeu formalmente o apoio do PSD na terça-feira (13), movimento relevante porque o líder do partido, Antônio Brito (PSD-BA), chegou a ser apontado como possível adversário na disputa pelo comando da Casa.

PL terá 121 deputados e pressiona por troca no comando
O presidente da Câmara também busca consolidar a unidade de um bloco formado por Republicanos, União Brasil, PP, PSD, MDB e siglas menores. Aliados transformaram a Residência Oficial da Presidência da Câmara em ponto de reuniões com dirigentes partidários e parlamentares interessados na eleição de 2027.
O PL conquistou 121 das 513 cadeiras da Câmara e resiste à permanência de Motta. Integrantes da federação União Brasil-PP avaliam que a reeleição do paraibano pode funcionar como contraponto a um eventual governo de Flávio Bolsonaro, diante da força que o partido bolsonarista terá no Congresso.
Nas conversas, Motta recebeu sinalizações de setores do PP e do União Brasil. O deputado Doutor Luizinho (PP-RJ) aparece entre os nomes cotados na federação, mas ainda não iniciou uma articulação pública para formar maioria contra o atual presidente da Casa.
O MDB também tende a apoiar Motta, que mantém relação próxima com o líder da futura bancada do partido, Isnaldo Bulhões (AL). O PT sinalizou adesão durante reunião de bancada, embora ainda pretenda formalizar a posição; PCdoB, PV e PSB podem acompanhar o movimento. Juntas, PT, PCdoB e PV terão 88 deputados.
A disputa pela Câmara se cruza com a sucessão no Senado. O União Brasil trabalha pela reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP), enquanto o PL terá uma bancada de 28 dos 81 senadores, o que dificulta um acordo entre as siglas sobre os dois comandos do Congresso.
Motta foi eleito para a Presidência da Câmara com apoio do PL, mas acumulou atritos com o partido ao não pautar uma anistia aos golpistas do ato terrorista de 8 de Janeiro. A sigla também criticou sua aproximação com Lula e o apoio dado ao petista durante a campanha eleitoral na Paraíba.