
A Justiça de São Paulo negou o pedido da Polícia Civil para quebrar o sigilo financeiro da empresária Karina Gama e do Instituto Conhecer Brasil, organização que ela dirige e que mantém contrato de R$ 157 milhões com a prefeitura para instalar pontos de wi-fi público. O inquérito apura suspeita de que recursos do acordo tenham chegado à Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O juiz autorizou a prorrogação da investigação por mais 90 dias. A decisão, tomada em 31 de agosto, apontou que a polícia não apresentou indícios individualizados que justificassem o acesso às movimentações financeiras de Karina e de suas empresas.
O contrato prevê a instalação de 5 mil pontos de wi-fi público na capital paulista. A suspeita investigada é que parte dos valores destinados ao Instituto Conhecer Brasil tenha sido direcionada à Go Up Entertainment, outra empresa de Karina da Gama.
A Go Up Entertainment produz “Dark Horse”, obra que conta a trajetória de Bolsonaro. O banqueiro Daniel Vorcaro patrocinou o filme.

Juiz cobrou detalhamento de operações e fluxos financeiros
Na decisão, a Justiça avaliou que o pedido policial buscava relatórios sobre movimentações atípicas e comunicações de operações suspeitas a partir de 20 de junho de 2024. Para o magistrado, o requerimento não delimitou quais transações, empresas, relações comerciais ou fluxos financeiros deveriam orientar a consulta ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
“Postula genericamente o fornecimento de relatórios detalhados sobre as movimentações atípicas e comunicações de operações suspeitas, sem indicar suficientemente quais operações, pessoas jurídicas, relações negociais ou fluxos financeiros relacionados ao objeto específico do inquérito deverão orientar a pesquisa perante o COAF”, escreveu o juiz.
A Polícia Civil também pediu à Prefeitura de São Paulo informações sobre o contrato firmado com o Instituto Conhecer Brasil. Quando solicitou os dados financeiros, contudo, ainda não havia juntado ao processo os documentos requisitados ao município, conforme a decisão.
Karina da Gama também se tornou alvo de busca e apreensão da Polícia Federal nesta quinta-feira (10), por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. O inquérito paulista tramita sob sigilo e seguirá com as diligências autorizadas pela Justiça.