Dino derruba sigilo de decisão sobre “Dark Horse”; veja o que acontece agora

Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro em “Dark Horse”. Foto: Divulgação

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta quinta-feira (10) o sigilo da ação que trata do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão ocorreu no dia em que a Polícia Federal abriu uma operação para investigar suspeitas de desvio de emendas parlamentares destinadas ao financiamento da obra.

A PF batizou a ofensiva de Operação Make Up e cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A corporação não pediu prisões no caso.

Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP), autor do roteiro de “Dark Horse”, e a produtora Karina Gama, dona da Go UP Entertainment Ltd. As ordens judiciais também alcançaram outras 20 pessoas investigadas.

A investigação apura a atuação de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados. A PF suspeita que recursos recebidos tenham seguido para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação dos serviços, e afirma ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre companhias ligadas ao esquema.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

PF apura emendas e contratos ligados à produtora

Os investigados podem responder por peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. A operação conta com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), e a PF aponta que tentativas de ocultar os desvios teriam continuado até julho deste ano.

Em agosto, Dino autorizou a PF a acessar dados recolhidos pela Polícia Civil de São Paulo em uma investigação que atingiu Karina Gama. A corporação federal buscava ampliar a apuração sobre possíveis desvios de recursos públicos, especialmente de emendas parlamentares, envolvendo a produtora.

Mario Frias destinou R$ 2 milhões em emendas, em 2024, para a ONG responsável pelo filme. Em manifestação enviada a Dino em maio, a defesa do deputado negou triangulação de recursos para financiar a produção e classificou a suspeita como “puramente especulativa”, baseada em “pré-julgamento”.

Em junho, a Polícia Civil realizou outra operação sobre uma licitação de R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), de propriedade de Karina Gama. Investigadores também pediram acesso a dados financeiros do instituto, da Go UP e da empresária para verificar se parte dos valores chegou à produtora durante a realização de “Dark Horse”.

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