Itália investiga pais por morte de menina não vacinada contra difteria

Profissional de saúde aplica vacina em uma criança
Profissional de saúde aplica uma vacina no braço de uma criança. Foto: Reprodução

O Ministério Público de Palermo, na Itália, investiga por homicídio culposo por omissão os pais de uma menina de 4 anos que morreu de difteria após não receber a vacina contra a doença. A imunização é obrigatória no país desde 1939, e a Itália não registrava uma morte pela infecção desde 1991. Com informações de dw.com.

Os pais decidiram não vacinar a menina nem seus três irmãos porque acreditavam que uma vacina teria causado o diagnóstico de autismo em um familiar, segundo a imprensa italiana. Após a morte, as autoridades sanitárias imunizaram as outras três crianças.

Um primo da vítima também testou positivo para difteria no sábado (22) e permanece internado no Hospital Cívico de Palermo. O diretor médico Domenico Cipolla afirmou que a criança está fora de perigo e evolui favoravelmente porque havia recebido as três primeiras doses do esquema de vacinação.

A Promotoria de Menores de Palermo abriu outra investigação para apurar a evasão da vacinação obrigatória na Zona Expansione Nord, bairro da periferia da capital da Sicília. O órgão também determinou uma inspeção urgente em creches e escolas de ensino fundamental para identificar alunos sem as vacinas exigidas.

Prefeitura de Araporã
Vacina Difteria. Imagem: reprodução

Vacinação reduziu os casos de difteria na Itália

O Ministério da Saúde italiano reiterou que não existe evidência científica de relação entre vacinas e autismo. O calendário do país prevê três doses durante o primeiro ano de vida e reforços aos 6 e aos 12 anos.

A difteria é uma infecção grave causada por uma bactéria que produz toxinas capazes de danificar órgãos e tecidos. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias e saliva, e os sintomas incluem febre, dor de garganta, dificuldade para respirar, inflamação dos gânglios, secreção com sangue e, em alguns casos, coloração azulada da pele.

No início do século passado, a Itália registrava cerca de 30 mil casos de difteria infantil e 1.500 mortes por ano. Depois da introdução da vacina, o país notificou apenas cinco casos entre 1990 e 2009. O caso anterior mais recente ocorreu em 1996, e a Lei Lorenzin, aprovada em 2017, incluiu a imunização entre as dez vacinas obrigatórias para a frequência escolar de menores de 16 anos.

No Brasil, a vacina pentavalente protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas pela bactéria Haemophilus influenzae tipo b. O imunizante integra o calendário nacional de vacinação e está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).

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