
Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Machado Mourão, conhecido como Sicário, afirmou à Polícia Federal que suas ameaças à família do banqueiro Daniel Vorcaro foram feitas quando estava emocionalmente fragilizada. Em depoimento prestado em junho, ela disse ter encontrado apenas documentos de negócios imobiliários que considerava lícitos. O relato foi divulgado nesta terça-feira (22) pelo Estadão.
As declarações foram enviadas ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pela defesa de Henrique Vorcaro, pai de Daniel. Os advogados apresentaram o depoimento junto a uma carta na qual Henrique nega crimes e se diz vítima de injustiça. A defesa sustenta que o relato reforça sua versão de que mantinha negócios lícitos com Mourão e desconhecia ameaças ou outras ações ilegais atribuídas ao grupo.
Joana havia afirmado a interlocutores que possuía material suficiente “para acabar com a família inteira” de Vorcaro e inviabilizar um eventual acordo de delação premiada do banqueiro. Chamada a depor após a divulgação das mensagens em junho, ela minimizou o alcance das afirmações.

Segundo o termo citado pelo Estadão, Joana relatou que o irmão lhe pediu, nas três conversas que tiveram após a prisão dele, que telefonasse para Henrique Vorcaro para cobrar uma dívida. Ao acessar os arquivos de Mourão, disse ter localizado contratos imobiliários entre os dois e entendido que o irmão tinha valores a receber.
O acesso ocorreu, conforme seu depoimento, por meio de um celular antigo encontrado em casa depois da apreensão de seus aparelhos pela PF. Ao ligá-lo, Joana percebeu que ele estava conectado à conta de iCloud do irmão e conseguiu visualizar os documentos. Ela afirmou que, em sua compreensão, os arquivos tratavam de participações imobiliárias lícitas e negou ter identificado indícios de crimes adicionais praticados por Mourão ou por terceiros.