Irã retalia ataque dos EUA contra bases militares no Oriente Médio

O Irã retaliou nesta segunda-feira (31) o ataque dos Estados Unidos contra a ilha de Larak com o lançamento de mísseis e drones contra bases norte-americanas em países da região. A nova agressão dos EUA ocorreu após um mês de relativa calma nos combates e em um momento em que Teerã avançava nas negociações com países vizinhos.

A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) lançou mísseis contra as bases de King Hussein e Al-Azraq, usadas pelos EUA na Jordânia. O Exército iraniano também afirmou ter enviado dezenas de drones contra instalações militares norte-americanas na base de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos.

“O Exército terrorista dos EUA violou mais uma vez, na noite de domingo, a soberania nacional e a integridade territorial do Irã”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores do país em nota publicada nesta segunda.

“Em resposta a essa agressão militar, as Forças Armadas da República Islâmica do Irã realizaram ataques defensivos contundentes e devastadores contra bases militares dos EUA situadas na Jordânia, as quais serviram de plataforma de lançamento e forneceram apoio à agressão militar norte-americana contra o Irã”, acrescentou a chancelaria.

Em outro comunicado, divulgado pela agência Tasnim, o Exército afirmou ter lançado dezenas de drones contra a Base Aérea de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo Teerã, a operação atingiu áreas usadas por militares e helicópteros norte-americanos.

O governo dos Emirados confirmou ter interceptado um drone procedente do Irã, mas negou que a base tenha sido atingida. Já o Exército da Jordânia informou ter interceptado oito mísseis que entraram no espaço aéreo do país durante a madrugada.

A Guarda Revolucionária também anunciou ter abatido um drone norte-americano MQ-9 sobre o Estreito de Ormuz. Segundo a versão iraniana, a aeronave caiu nas águas do Golfo.

EUA romperam período de relativa calma

A operação iraniana foi uma resposta ao bombardeio realizado pelo Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) contra a ilha de Larak, no Estreito de Ormuz. O ataque deixou três pessoas mortas e outras feridas e marcou a primeira ação militar norte-americana confirmada contra o território iraniano em pouco mais de um mês.

O Centcom alegou ter atingido dois lançadores que estariam sendo preparados para disparar foguetes com minas navais contra o Estreito. O Irã classificou a ação como violação direta de sua soberania e afirmou que civis e militares foram atingidos.

O ataque foi menor e mais direcionado do que a ofensiva de 29 de julho, a última, quando os Estados Unidos bombardearam “dezenas” de alvos iranianos durante duas horas. Ainda assim, a ação rompeu o período de relativa calma mantido desde o fim daquele mês e voltou a abrir uma frente militar em meio às negociações regionais.

Nas últimas semanas, Teerã chegou a um entendimento com Omã sobre o gerenciamento do Estreito de Ormuz, recebeu o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, e manteve conversas com o primeiro-ministro e chanceler do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani.

O Irã também recebeu o apoio da China diante do “Dia D econômico”, nova ofensiva de sanções anunciada por Washington. Pequim rejeitou as medidas unilaterais e afirmou que tomará todas as providências necessárias para defender seus interesses. Paquistão e Catar também criticaram a tentativa norte-americana de obrigar outros países a aderir às sanções contra Teerã.

“Ainda assim, continuamos tentando chegar a um acordo e a um entendimento, e acreditamos que continuar a guerra não interessa a ninguém: nem a nós, nem à região, nem à humanidade”, declarou o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.

Segundo ele, o Irã “não procura a guerra”, mas “jamais ficará parado diante de qualquer agressão”. Pezeshkian advertiu ainda que a instabilidade provocada pela continuidade dos ataques atingirá todos os países da região.

Trump promete novo ataque

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu responder à retaliação iraniana. “Vamos atacá-los com força. Haverá uma resposta”, declarou à Fox News, horas depois de o Exército jordaniano confirmar a interceptação dos oito mísseis.

Nas redes sociais, Trump voltou a classificar o Irã como um “Estado falido” e afirmou que o país está “morto”. O republicano sustentou que Teerã não teria mais Marinha, Força Aérea ou moeda e que as autoridades iranianas estariam incapazes de governar.

Trump também afirmou, sem apresentar provas, que mais de 100 mil pessoas teriam sido mortas durante protestos contra o governo iraniano. O número é muito superior ao reconhecido pelas autoridades do país, que registram 3.117 mortes, incluindo integrantes das forças de segurança.

Desde o início da guerra, o presidente norte-americano afirma repetidamente que o governo iraniano estaria perto do colapso. Passados seis meses de ataques, porém, não houve deserções relevantes na cúpula do Estado, e a Guarda Revolucionária segue conduzindo a resposta militar do país.

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