Irã diz que tratará como inimigo país que aderir à “guerra econômica” de Trump

Homem segura uma bandeira do Irã diante de um painel político em Teerã
Homem segura uma bandeira iraniana diante de um painel político na Praça Valiasr, no centro de Teerã. Foto: Reprodução

O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezai, afirmou neste sábado (22) que Teerã considerará “inimigo” qualquer país que participar da aplicação das sanções econômicas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a República Islâmica. Com informações de O Globo.

“Advertimos todos os países (…) Não se unam à guerra econômica que os Estados Unidos travam. Qualquer país que participe da imposição de restrições econômicas contra nós será considerado um inimigo”, declarou Rezai. Veterano da Revolução Islâmica de 1979 e da Guerra Irã-Iraque, ele assumiu recentemente o cargo por nomeação do líder supremo Mojtaba Khamenei.

Trump e integrantes do primeiro escalão do governo americano, entre eles o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciaram ao longo da semana uma campanha de sanções “nunca antes vista”. Washington pretende desgastar a economia iraniana e provocar o colapso do regime, enquanto autoridades de Teerã classificam a estratégia como “terrorismo econômico”.

Analistas questionaram o alcance da nova ofensiva porque o Irã opera há anos sob embargos dos Estados Unidos. Nesse período, o país formou uma rede de aliados e desenvolveu mecanismos próprios para manter operações no mercado internacional.

Xi Jinping, presidente da China. Foto: Reprodução.

China rejeita pressão, enquanto Emirados suspendem comércio

A China, maior parceira comercial do Irã, rejeitou a ameaça de Trump de promover um “Dia-D econômico” contra Teerã e punir países que “forneçam qualquer tipo de tábua de salvação” à economia iraniana. Pequim afirmou que a medida “não é do interesse de ninguém”.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, disse que “sanções e táticas de pressão não são a solução”. A manifestação indicou que Pequim pretende resistir às advertências americanas caso Washington coloque as novas punições em prática.

Os Emirados Árabes Unidos adotaram uma posição diferente e anunciaram a suspensão de toda a atividade comercial com Teerã. O governo de Abu Dhabi atribuiu a decisão às ações iranianas no Estreito de Ormuz e contra a navegação. O país responde por uma parcela relevante das importações destinadas ao mercado iraniano.

Um dia antes da advertência de Rezai, Trump declarou em um ato de campanha na Carolina do Sul que considera “o Estreito de Ormuz como um território americano”. Forças iranianas fecharam o tráfego regular na passagem marítima, pressionaram o mercado internacional de petróleo e impediram até agora que a superioridade militar americana garantisse a reabertura da rota.

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