A investigação contra Fernando Cerimedo, ex-assessor de Javier Milei preso na Bolívia sob acusação de mandar matar a ex-companheira, avançou nesta quinta-feira (20) para uma nova frente.
Em buscas realizadas em imóveis ligados ao consultor argentino, investigadores encontraram o equivalente a US$ 50 mil em diferentes moedas e uma estrutura usada para operar milhares de contas falsas nas redes sociais.
As operações fazem parte de uma investigação por enriquecimento ilícito conduzida pelo Ministério Público boliviano e ganharam impulso após os depoimentos de Nadia Beller, ex-companheira de Cerimedo que foi baleada três vezes em Santa Cruz de la Sierra.
Além do dinheiro e da estrutura de bots, a investigação sobre a tentativa de feminicídio produziu uma nova evidência contra Cerimedo.
A Promotoria confirmou ao jornal argentino Página/12 que encontrou no celular apreendido do ex-assessor de Milei uma anotação em que ele afirma que Nadia os havia “vendido”, diz que era necessário “eliminá-la” e pergunta a um interlocutor se conhecia alguém capaz de “fazer o trabalho”.
O conteúdo foi apresentado à Justiça depois da acusação formal contra Cerimedo e, por isso, ainda não consta nas 22 páginas em que a Promotoria boliviana sustenta que ele coordenou à distância a emboscada contra Beller. Os investigadores pediram que o argentino permaneça preso preventivamente por 180 dias.
Suspeitas chegam novamente ao governo Milei
O avanço das investigações na Bolívia acrescenta novos elementos às denúncias feitas por Beller sobre os negócios e as relações políticas do ex-companheiro.
Cerimedo integrou a campanha presidencial de Milei e já havia aparecido na investigação argentina sobre o esquema de corrupção na Agência Nacional de Deficiência (ANDIS).
Como mostrou o Vermelho nesta quarta-feira (19), Beller afirmou que Cerimedo lhe contou ter participado do vazamento dos áudios atribuídos ao ex-diretor da ANDIS Diego Spagnuolo, nos quais são descritas cobranças de propina de fornecedores de medicamentos e citada Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência.
Cerimedo também depôs à Justiça argentina em setembro de 2025. Na ocasião, afirmou ter ouvido de Spagnuolo que fornecedores eram pressionados a pagar 8% sobre contratos com a ANDIS e que parte do dinheiro teria como destino a Casa Rosada.
Segundo seu depoimento, Spagnuolo também teria dito que informou o próprio Javier Milei sobre o esquema.
A investigação argentina avançou desde então. Em fevereiro, 19 pessoas foram processadas por suspeitas de direcionamento de contratos, superfaturamento e pagamento de propinas na compra de medicamentos e insumos destinados a pessoas com deficiência. Karina Milei, citada nas gravações atribuídas a Spagnuolo, não está entre os processados.