Bravatas de Trump elevam cotação do petróleo e expõem limites de Washington em Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a recorrer às costumeiras fanfarronices e retóricas belicistas para anunciar uma nova ofensiva de sanções contra o Irã, batizada por ele de “Dia D econômico”.

A declaração, veiculada na rede Truth Social na noite de quarta-feira (19), serviu principalmente para inflar a volatilidade no mercado internacional, provocando forte alta nas cotações do petróleo ao longo da quinta-feira e mantendo os preços em patamar elevado nesta sexta-feira.

Na mensagem em tom ufanista e panfletário, Trump anunciou a “operação econômica mais esmagadora já empreendida contra qualquer país” e ameaçou com “consequências tremendas” qualquer nação que mantenha relações comerciais ou financeiras com Teerã, exigindo a interrupção imediata de operações financeiras e do comércio de combustíveis.

O movimento no mercado financeiro reflete mais a incerteza gerada pela especulação do que mudanças estruturais imediatas na oferta. O petróleo Brent fechou a quinta-feira com alta de 2,4%, atingindo US$ 93,78 o barril, após bater picos acima de US$ 94 durante o dia. Nesta sexta-feira (21), os contratos operaram estabilizados entre US$ 93,50 e US$ 93,90, acumulando valorização expressiva no curso da semana.

O secretário do Tesouro estadunidense, Scott Bessent, endureceu o discurso em entrevista à emissora CNBC na quinta-feira. O titular reiterou que Washington busca o estrangulamento financeiro do governo iraniano e prometeu detalhar o novo pacote de coerção na próxima segunda-feira (24).

Leia mais: Trump ameaça bombardear Omã por negociação com Irã sobre Estreito de Ormuz

WA resposta das autoridades iranianas veio nosentido de desarmar a narrativa triunfalista de Washington. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, classificou a medida como “terrorismo econômico” e apontou que os anúncios grandiosos funcionam como cortina de fumaça para os próprios problemas estruturais da economia norte-americana, marcada por dívida elevada e custos crescentes de juros. Araghchi destacou ainda que políticas unilaterais de força ampliam a rejeição internacional à conduta dos Estados Unidos.

A China, principal parceira comercial de Teerã e alvo implícito das ameaças de sanções secundárias, também rechaçou a postura de Washington. Porta-vozes da diplomacia chinesa reiteraram que a imposição arbitrária de sanções e pressões unilaterais não contribui para a estabilidade do Oriente Médio. Pequim defende a busca de soluções por vias diplomáticas e negociadas.

O novo sobressalto de retórica ocorre em um quadro de prolongada tensão na região, agravado pela presença militar ostensiva dos Estados Unidos no Oriente Médio. O bloqueio naval e as recentes instabilidades no Estreito de Ormuz têm alimentado a pressão inflacionária global sobre os combustíveis, evidenciando que a estratégia de coerção de Washington atinge a própria economia mundial.

Artigo Anterior

Caso Fábio Luís: Mendonça manda PF apurar vazamento seletivo de informações

Próximo Artigo

Flávio Bolsonaro tenta usar Bolsa Família para ganhar votos: “Vamos manter”

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!