
Integrantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Polícia Federal avaliam que a nova crítica do governo Donald Trump ao Brasil sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) tem caráter político-eleitoral. Segundo a Folha de S.Paulo, essas autoridades afirmam não identificar fato novo que explique a manifestação de Washington a poucas semanas da eleição presidencial.
O governo estadunidense afirmou que o Brasil “falhou em confrontar” as duas facções e disse que PCC e Comando Vermelho transformaram o país em um centro do fluxo global de cocaína. A reprimenda consta de uma determinação presidencial enviada ao Congresso dos Estados Unidos sobre países produtores ou usados como rota do narcotráfico.
Apesar da crítica direta, o Brasil ficou fora da lista formal dos principais países produtores ou de trânsito de drogas e também não foi incluído entre os governos classificados por Washington como tendo “falhado de forma demonstrável” no cumprimento de obrigações internacionais de combate ao narcotráfico.

Integrantes do governo brasileiro ouvidos pela Folha citaram, em contraponto, o anúncio de R$ 11 bilhões para o combate ao crime organizado e operações recentes da Polícia Federal. Nesta quarta-feira (16), as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado realizaram uma ação simultânea em 19 estados contra investigados por tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e homicídios.
A pressão ocorre depois que os Estados Unidos classificaram PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas em maio. A medida foi formalizada dias depois de Flávio Bolsonaro afirmar que havia pedido pessoalmente a Donald Trump a inclusão das facções nas listas de terrorismo durante uma visita à Casa Branca.
O Planalto e o Ministério da Justiça preparam uma resposta oficial à nova manifestação estadunidense. Reservadamente, integrantes do governo também avaliam se o movimento pode anteceder novas sanções dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. Essa hipótese, porém, permanece como avaliação de interlocutores e não foi anunciada pela gestão Trump.