ICE prende mais de 60 mil pessoas e bate recorde do primeiro mandato de Trump

Veículo de patrulha do ICE em rua dos Estados Unidos
Veículo de patrulha do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos em uma rua. Foto: Reprodução

O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) ultrapassou a marca de 60 mil imigrantes presos, um recorde impulsionado pelo aumento das detenções de pessoas sem antecedentes criminais. Documentos internos obtidos pelo The New York Times indicam que a lotação das prisões da agência cresceu sob a política anti-imigração do presidente Donald Trump.

Em janeiro, cerca de 39 mil pessoas estavam sob custódia em centros destinados a imigrantes. O total atual supera também o recorde anterior da agência, de 55.654 presos, registrado em agosto de 2019, durante o primeiro mandato de Trump.

Uma análise de dados federais divulgados recentemente apontou que a maior parte dos detidos em julho respondia apenas a violações civis das leis de imigração. Essas pessoas não tinham denúncia criminal nem condenação, enquanto a proporção de presos com condenação por crime violento caiu para menos de 4%.

Trump voltou à Casa Branca em janeiro com a promessa de realizar a maior deportação em massa da história dos Estados Unidos. Sua campanha associa com frequência imigrantes sem documentação a crimes violentos, e a Casa Branca mantém uma página que lista pessoas condenadas e deportadas sem informar que a agência também detém indivíduos sem condenação.

Agentes do ICE. Foto: reprodução

Meta diária ampliou o alcance das operações migratórias

O governo estabeleceu a meta de prender 300 imigrantes por dia, patamar considerado elevado por especialistas. Os agentes tiveram dificuldade para alcançar esse número nos primeiros meses, e as operações passaram a mirar qualquer pessoa identificada em situação migratória irregular, e não apenas aquelas acusadas de crimes.

O ICE intensificou batidas em cidades-santuário, que adotam políticas de proteção a imigrantes e são alvos frequentes de críticas de Trump. Desde a criação da agência, em 2003, sua capacidade de encarceramento aumentou de cerca de 7 mil pessoas para o atual contingente superior a 60 mil.

Tom Homan, czar da fronteira do governo Trump, defendeu repetidamente as prisões ao afirmar que o crime cometido por essas pessoas é “ter entrado de forma ilegal nos EUA”. A declaração resume a mudança de prioridade que levou a agência a ampliar as detenções de pessoas sem histórico criminal.

Os registros analisados pelo The New York Times mostram mais de 1.100 detenções desde a sexta-feira anterior ao levantamento, média próxima de 380 por dia. Como o intervalo examinado é curto, ainda não há dados suficientes para concluir que o ICE atingiu de forma sustentada a meta diária de 300 prisões.

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