O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, cobrou nesta semana a quebra de sigilo das investigações do Caso Master que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Em entrevista divulgada pelo Partido dos Trabalhadores, Haddad perguntou diretamente ao eleitor: “A quem interessa manter escondido o que o filho do ex-presidente tem a ver com o maior escândalo bancário recente do país?”.
O Banco Master, de Daniel Vorcaro, movimentou bilhões e quebrou. A Polícia Federal investigou e o Banco Central do governo Lula liquidou a instituição e prendeu o banqueiro.
Haddad levantou o histórico de denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro. As machadinhas, a compra da mansão, a compra de imóveis com dinheiro vivo, a visita a Vorcaro já com tornozeleira eletrônica, o dinheiro do Dark Horse. ” Por que o processo contra Flávio Bolsonaro não pode ser conhecido pelo eleitor brasileiro?” Indago Haddad. “Já seria grave se ele fosse candidato a vereador. Mas ele é candidato a presidente, o que é muito grave”, afirmou Haddad.
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Haddad lembrou o que a direita tenta apagar: o Master financiou campanhas de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas em 2022, e não financiou Lula nem Haddad. Três ministros do governo Bolsonaro aparecem nas apurações. Flávio pediu dinheiro a Vorcaro, inclusive para o filme sobre o pai.
Mesmo assim, o inquérito que o atinge segue sob sigilo enquanto outros processos são expostos.“Se é para expor, expõe tudo, sem seletividade”, afirmou Haddad, em concordância, com a posição do presidente Lula.
A frase resume a posição do campo democrático de que a justiça não pode ter dois pesos e duas medidas. O eleitor vai às urnas em outubro. Um dos candidatos está no centro de um esquema de bilhões e o processo dele permanece fechado. Quem ganha com isso?Haddad tem sido consistente em suas denúncias. Além de classificar o senador como um risco institucional e apontar para o que chamou de “maior capivara da República”, ele alertou sobre os riscos para o país: “Se o Flávio Bolsonaro for eleito, o Vorcaro não fica na cadeia, eles vão combinar o que fazer com os R$ 40 bilhões que estão fora do Brasil”. É o registro de um padrão da família Bolsonaro e seus aliados: acumulam irregularidades patrimoniais, rachadinhas e relações com banqueiros investigados, tentando transformar o escândalo do governo deles em arma contra Lula.
O PCdoB e a Federação Brasil da Esperança defendem a mesma linha: investigação até o fim, contra quem quer que seja, doa a quem doer. O povo tem o direito de saber, antes de votar, o que pesa sobre o candidato que se apresenta como alternativa.
São Paulo e o Brasil não precisam de mais um capítulo de proteção a Flávio Bolsonaro, que deixou de dar explicações sobre todas as denúncias que pesam sobre ele. Haddad está certo: abre tudo e deixa o povo julgar.